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A vacinação infantil contra a covid-19 no Brasil atingiu apenas 5% do público-alvo com o esquema de três doses, segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. O índice alarmante é reflexo direto da desinformação, enquanto o país continua a registrar hospitalizações e mortes de crianças pequenas provocadas pelo vírus.
O diretor do PNI, Eder Gatti, reforça que o país dispõe de estoques suficientes e contratos ativos para manter a distribuição em dia. Para o gestor, o baixo engajamento decorre dos frequentes discursos antivacina e das falsas alegações disseminadas desde o pico da pandemia, inclusive por autoridades governamentais do antigo mandato.
Desde 2024, a proteção contra o coronavírus foi incorporada ao calendário oficial para bebês de 6, 7 e 9 meses, com aplicação liberada até os 5 anos. Ainda assim, a hesitação vacinal faz com que milhares de famílias recusem a imunização, gerando desperdício de frascos que possuem prazo de validade reduzido após o descongelamento.
O impacto dessa resistência reflete-se nos hospitais: este ano, mais de 1,1 mil crianças de até 14 anos foram internadas com quadros respiratórios graves por covid-19. Além disso, foram confirmados 25 óbitos na população infantil, dos quais 15 ocorreram em bebês com menos de 2 anos.
Segurança comprovada e monitoramento contínuo
Autorizada pela Anvisa no início de 2022, a vacina voltada ao público infantil reduziu em 97% os casos graves da doença, conforme levantamento da Universidade de São Paulo (USP). Especialistas reiteram que os imunizantes de RNA mensageiro e vetor viral passaram por todas as etapas rigorosas de testes clínicos e são constantemente monitorados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Até o momento, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças no país sem nenhum registro de óbito decorrente da vacina. Cerca de 92% dos eventos adversos notificados limitaram-se a reações leves e esperadas, como febre e dor local, sendo os riscos de complicações graves consideravelmente maiores para quem contrai a infecção natural.
O Ministério da Saúde também alerta para a Síndrome Inflamatória Multissistêmica, complicação pós-covid grave que afetou mais de 2 mil crianças brasileiras entre 2020 e 2023. Gatti destaca que a fórmula contra a covid-19 é atualmente a mais estudada do mundo, superando 20 mil trabalhos científicos publicados.
Avanços e desafios do PNI
Enquanto enfrenta a hesitação em relação à covid-19, o PNI registra avanço na recuperação de outras coberturas do calendário infantil. Com um orçamento que quase dobrou, saltando de R$ 5 bilhões para cerca de R$ 10 bilhões previstos, o programa regularizou estoques e aprimorou o planejamento local nos municípios.
Em 2022, quase todas as vacinas do primeiro ano de vida estavam abaixo de 80% de cobertura. No último ano, contudo, sete imunizantes ultrapassaram a meta de 90%. O desafio remanescente envolve reforçar doses como a segunda aplicação da tríplice viral, essencial para prevenir surtos de sarampo.
Outras inovações recentes incluem a vacinação contra a dengue para a faixa de 10 a 14 anos, a proteção contra o vírus sincicial respiratório em gestantes — que reduziu em mais de 50% os casos de bronquiolite em bebês — e a atualização para a vacina pneumocócica VPC20, garantindo maior cobertura contra meningite e pneumonia.

Plantão Guarujá