O Ministério da Saúde (MS) instituiu recentemente um comitê de negociação de preços para a compra de medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo central é otimizar os gastos públicos e garantir acesso a tratamentos essenciais para a população brasileira.

A principal finalidade desta comissão é assegurar a aquisição de fármacos em larga escala por valores mais competitivos. Essa economia gerada permitirá a liberação de recursos orçamentários.

Com esses recursos adicionais, o ministério poderá expandir o rol de medicamentos oferecidos pelo SUS, incorporando novas tecnologias e terapias inovadoras.

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A meta é clara: aumentar as possibilidades de inclusão de medicamentos de alto custo no SUS, especialmente aqueles voltados para o tratamento de condições complexas como câncer e doenças autoimunes.

Segundo Fernanda De Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, a medida representa uma modernização. "Estamos modernizando a forma com a qual o Ministério da Saúde faz a negociação de preços", afirmou.

Ela destacou que o objetivo é estabelecer "regras mais claras e garantias para o ministério obter um preço melhor e mais justo". Isso permitirá que o orçamento remanescente seja direcionado para "outros investimentos, investimentos em outras tecnologias".

O acionamento do comitê de negociação de preços ocorrerá por intermédio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

A Conitec desempenha um papel crucial, sendo o órgão encarregado de recomendar e validar a inclusão de novas terapias e medicamentos na rede pública de saúde.

Estratégias para medicamentos específicos

Em situações onde um medicamento é exclusivo no mercado, produzido por um único laboratório e impossível de ser adquirido por licitação, o comitê terá um papel fundamental. Ele poderá intervir para negociar valores mais acessíveis.

O SUS, por ser um dos maiores compradores globais, movimenta anualmente cerca de R$ 31,3 bilhões em vacinas, medicamentos e insumos. Esse volume expressivo confere uma considerável margem para a negociação de preços vantajosos.

Além disso, o comitê de negociação também atuará em cenários onde um medicamento já incorporado ao SUS registrar um aumento significativo de preço. A secretaria ministerial responsável pela demanda será a encarregada de acionar o grupo.

Este modelo de negociação não é inédito; ele já é aplicado com sucesso em mais de 40 países, incluindo nações como Canadá, Inglaterra, Austrália e França.

No Brasil, a concepção de um mecanismo similar já era debatida há tempos dentro do Ministério da Saúde. Contudo, apenas recentemente ela foi formalizada como uma política oficial da pasta.

O comitê de negociação de preços possui caráter permanente e técnico. A expectativa do ministério é alcançar descontos superiores a 50% nas aquisições de medicamentos novos ou recentemente incorporados ao SUS.

FONTE/CRÉDITOS: Marcelo Brandão – repórter da Agência Brasil