“A Inglaterra não quer jogar este jogo, e nós também não”, disse o técnico da França, Didier Deschamps, na véspera da disputa pelo terceiro lugar da Copa. Não foi o que se viu na partida deste sábado (18), em Miami, que teve os ingleses abrindo 4 a 0 no primeiro tempo e os franceses buscando uma reação impressionante após o intervalo.

Com seis gols na etapa final, os ingleses venceram por 6 a 4 e confirmaram sua melhor campanha depois de 60 anos.

A partida teve também Mbappé marcando duas vezes para assumir a artilharia desta edição, com dez gols, e o topo do ranking dos maiores marcadores de todos os Mundiais, com 22. Lionel Messi, que balançou a rede nove vezes na América do Norte e 21 na história da competição, tentará recuperar a liderança neste domingo (19), na final contra a Espanha.

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Muito questionado por ter deixado de fora do torneio nomes como Cole Palmer e Phil Foden e pela postura excessivamente defensiva após abrir o placar na semifinal contra a Argentina, o técnico Thomas Tuchel apostou em um time quase todo reserva para a partida no estádio Hard Rock, em Miami.

Artilheiros da seleção britânica na competição, Harry Kane e Jude Bellingham, com seis gols cada, começaram assistindo ao jogo do banco, e até o goleiro Jordan Pickford foi poupado.

Deschamps também montou uma equipe mista, mas manteve Rabiot, Olise e Mbappé entre os titulares. Apesar da decepcionante eliminação para a Espanha na outra semifinal, a seleção francesa buscava um resultado positivo na despedida do técnico que a comandou por 14 anos —incluindo o título em 2018 e o vice-campeonato em 2022.

O camisa 10 dos Les Bleus também tinha como motivação pessoal extra a artilharia da Copa. Antes da partida deste sábado, Mbappé e Messi estavam empatados com oito gols cada, com o argentino liderando por ter mais assistências (quatro ante três).

Mas os bicampeões mundiais começaram a partida em ritmo muito abaixo do esperado. Os reservas da Inglaterra aproveitaram o descompasso dos franceses desde o início e ainda no primeiro tempo construíram uma larga vantagem de 4 a 0, que poderia até ter sido maior.

O placar foi aberto logo aos dois minutos com Declan Rice, que roubou a bola no meio-campo, carregou a até a entrada da área e chutou de chapa no canto esquerdo de Maignan. Saka chegou a ampliar aos 11, mas a jogada foi anulada por impedimento.

O segundo gol veio aos 17, com cabeceio de Konsa após Rice cobrar escanteio. O goleiro francês só olhou a bola entrar.

Mbappé até tentava tomar a iniciativa para buscar uma reação, mas pouco conseguia fazer sozinho, com muitos erros dos companheiros. Na melhor das chances, parou em defesa de Henderson, o substituto de Pickford.

O terceiro e o quarto foram de Bukayo Saka. Aos 36, os ingleses aproveitaram a ineficiência da defesa francesa em tirar a bola da área e insistiram até empurrar para o gol: Rashford recebeu ótimo passe de Saka, avançou ao ataque e chutou em cima de Maignan; o rebote sobrou para o ponta do Arsenal, que finalizou em cima de Lacroix; a bola sobrou com Rashford, que rolou para Saka marcar pela terceira vez.

Aos 45, Eze enfiou a bola para o jogador do Arsenal mandar no canto direito do goleiro franês, fazendo seu segundo na partida.

No intervalo, Tuchel trocou Rashford por Watkins e Deschamps fez quatro substituições de uma vez: trocou Theo Hernández por Digne, Konaté por Upamecano, Cherki por Dembélé e Doué por Barcola.

As mudanças surtiram efeito rapidamente. Aos dois minutos do segundo tempo, Upamecano desarmou Watkins, mandou para Olise, que deu assistência para Mbappé marcar seu nono gol nesta Copa.

Aos oito, o camisa 10 lançou para Barcola fazer o segundo. E ainda marcou mais um, após tabelar com Olise, para descontar para 4 a 3 e assumir a artilharia da Copa, nesta edição, com dez gols, e como o maior marcador de todos os tempos, com 21.

Em busca de recuperar a liderança dos dois rankings, Messi ainda joga neste domingo (19) a final contra a Espanha.

Depois de os dois lados empilharem chances perdidas, Spence sofreu falta dentro da área e Saka bateu o pênalti para fazer o hat-trick no jogo e confirmar o placar de 5 a 3. A única derrota tão ampla sofrida pela França em Copas foi na semifinal de 1958, um 5 a 2 diante do Brasil.

Muito menos animado, o último encontro entre as duas equipes havia sido nas quartas de final da Copa de 2022, vencido por 2 a 1 pelos franceses.

Caminho francês até a disputa pelo 3º lugar

Na fase de grupos, os franceses venceram Senegal, Iraque e Noruega. Eliminaram a Suécia na recém-criada fase de 32 seleções, o Paraguai nas oitavas e o Marrocos nas quartas.

Na semifinal, os então favoritos ao título foram anulados pela marcação da Espanha, muito concentrada em busca de seu bicampeonato mundial e que cedeu apenas um gol até a final.

Campanha da Inglaterra até o 3º lugar

O time de Thomas Tuchel estreou com vitória sobre a Croácia, empatou com Gana e venceu o Panamá na primeira fase. No mata-mata, superou, de virada, a República Democrática do Congo na fase de 32, segurou a vitória contra o México nas oitavas mesmo com um jogador a menos e eliminou a Noruega de Erling Haaland também de virada nas quartas.

A Argentina acabou com o sonho dos ingleses de retornarem à final depois de 60 anos. Abriram o placar com Gordon no início do segundo tempo, mas viram Lionel Messi dar duas assistências para virar a partida nos acréscimos.

FONTE/CRÉDITOS: SantaPortal