A chegada do inverno aumenta o alerta para a presença de águas-vivas e caravelas-portuguesas nas praias da Baixada Santista. Impulsionados pelos ventos, marés e correntes marítimas, esses organismos tendem a se concentrar na zona de arrebentação, elevando o risco de queimaduras em banhistas, surfistas e praticantes de esportes aquáticos no litoral paulista.

Segundo o biólogo Jorge Luiz, a ocorrência varia conforme as condições ambientais. Enquanto as águas-vivas são mais frequentes em águas de temperatura fria a amena, as caravelas-portuguesas costumam aparecer quando o mar está mais quente. 

Além da temperatura, o regime de chuvas e a dinâmica das correntes marítimas influenciam diretamente a chegada desses organismos às praias, fazendo com que o período de maior incidência varie entre o inverno e o verão.

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Diferenças entre as espécies

Nem todo organismo gelatinoso encontrado na praia representa risco para os banhistas. As obélias, comuns na região, possuem formato de disco e tentáculos urticantes localizados na parte inferior do corpo. Já as chamadas grandes medusas, frequentemente encontradas encalhadas na areia, não possuem estruturas capazes de provocar queimaduras em humanos.

“É raro, pelo menos do ponto de vista de alguém que está dentro d’água, identificar essas estruturas. Por isso, um trabalho de informação e de educação ambiental é importante nessas épocas de ocorrência”, destaca o biólogo.

Jorge Luiz também orienta que banhistas e trabalhadores do mar redobrem a atenção ao avistarem resíduos plásticos, metálicos ou pedaços de madeira flutuando. É comum que águas-vivas e caravelas-portuguesas aparecem associadas a esses materiais, utilizando-os como suporte ou sendo transportadas pelas mesmas correntes que levam o lixo até a costa.

Monitoramento reforçado

A presença desses organismos altera a rotina das praias da Baixada Santista, exigindo atenção constante de banhistas e das equipes do Corpo de Bombeiros durante o inverno e a primavera.

Embora as salpas sejam as mais comuns nesta época do ano, o maior alerta permanece para as caravelas-portuguesas, cujos tentáculos podem atingir até nove metros de comprimento e provocar acidentes graves.

“O Corpo de Bombeiros e outros grupos que monitoram animais marinhos auxiliam os banhistas na indicação de locais mais seguros para banho e para a prática de esportes”, explica o especialista.

O que fazer em caso de queimadura

Em caso de contato com águas-vivas ou caravelas-portuguesas, a orientação é agir rapidamente.

  • Lavar a área atingida com água doce gelada;
  • Em acidentes com caravelas-portuguesas, remover cuidadosamente os tentáculos utilizando uma esponja limpa umedecida com água doce gelada;
  • Procurar atendimento médico imediatamente em casos de dor intensa ou reação alérgica.