O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, visitou o Porto de Santos, no litoral de São Paulo, nesta sexta-feira (14) para discutir estratégias de combate ao crime organizado que utiliza a estrutura portuária. A agenda reuniu representantes de diferentes forças de segurança e teve como foco o uso de tecnologia e integração entre órgãos federais, estaduais e municipais.

Durante a visita, o ministro conheceu áreas do complexo portuário e as instalações do Parque Valongo. Segundo ele, o enfrentamento às organizações criminosas depende de uma atuação coordenada entre as instituições que trabalham na região.

“O combate ao crime organizado pressupõe exatamente isso que vocês estão vendo, a integração de todas as forças”, afirmou.

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Wellington César disse que o Ministério da Justiça pretende atuar em conjunto com as instituições que integram a segurança do Porto de Santos, considerado estratégico para o comércio exterior brasileiro.

“É preciso investimento em tecnologia e inteligência. Então o Ministério da Justiça está aqui hoje, irmanado com todas as instituições representadas, para fazer exatamente que a hipótese do Porto de Santos seja uma hipótese de sucesso, de êxito”.

A visita ocorre em meio ao fortalecimento das ações de combate a organizações criminosas envolvidas em atividades como tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro, crimes que podem utilizar a estrutura logística dos portos para movimentação de cargas e valores.

Reforço da Guarda Portuária

Entre as medidas apresentadas durante a agenda está a chegada de duas lanchas blindadas para a Guarda Portuária. As embarcações foram adquiridas pela Autoridade Portuária de Santos (APS) por R$ 7,85 milhões.

Segundo o ministro, os novos equipamentos vão ampliar a capacidade de resposta das equipes que atuam na área aquaviária.

“Chegarão aqui duas novas lanchas nos próximos dias, com proteção balística e todo equipamento necessário para que o Porto de Santos tenha esse tipo de suporte”.

As embarcações serão utilizadas pelo Grupo de Ações Estratégicas da Guarda Portuária (GPort) e serão as primeiras lanchas blindadas da corporação.

Fabricadas pela Modirum Gespi, elas têm cerca de 12 metros de comprimento e blindagem nível 3. Cada embarcação pode transportar até 11 pessoas e carregar até 9,8 toneladas.

Tecnologia e inteligência

A estratégia de segurança também envolve a ampliação do monitoramento e o uso de novas tecnologias. A Autoridade Portuária prevê investir aproximadamente R$ 300 milhões até 2030 na modernização da segurança do Porto de Santos. O pacote inclui equipamentos para a Guarda Portuária, renovação da frota, sistemas de monitoramento e contratação de pessoal.

Entre os projetos está o VTMIS, sistema que permitirá o acompanhamento em tempo real do tráfego de embarcações, além de ferramentas de inteligência artificial, reconhecimento facial, monitoramento de veículos e integração de dados.

A estrutura de videomonitoramento deverá contar com cerca de 1.260 câmeras, além de equipamentos térmicos e rede 5G.

Porto de Santos como referência

O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, afirmou que o complexo poderá servir como um laboratório para novas tecnologias de segurança portuária.

“O Porto de Santos representa 30% da corrente comercial brasileira. Por isso que nós faremos um investimento, já começamos há três anos, de R$ 300 milhões, principalmente para o reforço da infraestrutura da Guarda Portuária”.

Pomini também destacou a importância da integração entre as instituições que atuam no porto. A Guarda Portuária trabalha em conjunto com Polícia Federal, Receita Federal, Marinha, Polícia Militar, Polícia Civil e Antaq.

Em 2026, a APS também lançou a pedra fundamental da nova sede da Polícia Federal na entrada do estuário, com investimento previsto de R$ 58 milhões.

Para o ministro, a combinação entre integração institucional, inteligência e tecnologia será determinante para impedir que organizações criminosas utilizem a estrutura do maior porto da América Latina para suas atividades.