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O Partido dos Trabalhadores oficializou neste domingo (2) a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição, em convenção partidária realizada em São Paulo. Lula busca seu quarto mandato e terá novamente Geraldo Alckmin (PSB) como vice, repetindo a chapa eleita em 2022.
"Peço desculpas pelos erros que cometi e pelas coisas que não fiz", disse Lula em discurso para militantes reunidos em convenção no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo. Havia representantes de PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede, aliados do PT na eleição presidencial.
No discurso de mais de uma hora, Lula anunciou cinco compromissos em um eventual quarto mandato:
- "Resolver definitivamente o papel da educação";
- criar um programa para idosos;
- fortalecer a indústria militar;
- manter a riqueza das terras raras "para os brasileiros";
- programas para a transição energética.
Ele disse que só vai divulgar o programa de governo a partir do dia 16, quando a campanha começa oficialmente.
Leia frases de Lula no evento:
"No quarto mandato, eu não quero Lulinha paz e amor, quero Lulinha porreta."
Sem mulher escalada para falar, Lula chama Janja
Numa cerimônia que anunciou propostas, ressaltou medidas implementadas durante o terceiro mandato e destacou o papel das mulheres na sociedade, Lula passou por um constrangimento antes de discursar.
"Uma crítica a mim. Não é possível que a gente tenha esquecido de, no principal evento da nossa campanha, não ter colocado uma mulher para falar", afirmou Lula. Em seguida, o presidente disse que a primeira-dama Janja da Silva não estava escalada para discursar e passou a palavra para ela. "É difícil porque a gente precisa estar todo dia se reafirmando, né, mulherada?", disse Janja.
Antes de Lula, falaram Edinho Silva, presidente do PT, e Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo pelo PT.
"O Brasil terá que fazer uma escolha de que legado vamos deixar, que Brasil vamos construir", disse Edinho Silva, ao anunciar a oficialização da candidatura de Lula na convenção.
Fernando Haddad defendeu a reeleição de Lula. "O Brasil precisa de um marujo confiável, experiente, que saiba acionar as ferramentas necessárias para proteger a soberania do Brasil. Lula é motivo de inveja no mundo. Só que o Lula é brasileiro."
O evento começou de manhã com uma entrevista com a deputada federal Benedita da Silva (PT). Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo; Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência; Marina Silva (Rede), candidata ao Senado por São Paulo; Aloizio Mercadante, ex-senador pelo PT; a ministra das Mulheres, Márcia Lopes; e o senador Rogério Carvalho (PT) também estavam presentes na convenção.
Lula busca 4º mandato
Aos 80 anos, Lula vai em busca de seu quarto mandato presidencial: foi eleito em 2002, reeleito em 2006 e novamente escolhido como presidente em 2022.
O presidente também disputou as eleições de 1989, 1994 e 1998, quando saiu derrotado: primeiro, por Fernando Collor e, depois, por Fernando Henrique Cardoso duas vezes (leia o perfil). Em 2018, o PT chegou a oficializar a candidatura de Lula, mas ela foi barrada pela Justiça, e Fernando Haddad foi o candidato do PT no lugar de Lula.
Se vencer neste ano, chegará a 16 anos como presidente e ficará atrás somente de Getúlio Vargas, que governou o Brasil por pouco mais de 18 anos, mas só foi eleito pelo voto direto uma vez.
Chapa com Alckmin na vice
O petista repetirá a chapa vitoriosa de quatro anos atrás com o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), oficializado em convenção do partido na quarta-feira (29).
Geraldo Alckmin consolidou sua posição no governo e manteve uma relação de proximidade com Lula, apesar do antigo histórico de disputa em eleições presidenciais, quando era do PSDB.
Além da vice-presidência, Alckmin também chefiou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, fazendo a ponte entre o governo e o empresariado.
Em 2026, o PT terá PSB, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede como aliados na eleição presidencial. O principal adversário de Lula, Flávio Bolsonaro (PL), até o momento não anunciou coligações.
Os partidos têm até 5 de agosto para realizar as convenções, nas quais oficializam candidatos e coligações. Depois, as candidaturas devem ser registradas na Justiça Eleitoral até 15 de agosto. A campanha eleitoral começa no dia seguinte.
Partidos que devem compor a chapa Lula-Alckmin
➡️ PDT: oficializou apoio à candidatura de Lula em 20 de julho. Foi o primeiro partido a formalizar aliança com o petista para as eleições de 2026.
Segundo a legenda, a decisão foi motivada pela defesa da pauta trabalhista e pela necessidade de mobilizar forças políticas contra a extrema-direita.
➡️ PSB: mantém a composição vencedora das eleições de 2022 e reforça a aliança entre PT e PSB para a disputa presidencial de 2026.
➡️ Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB): criada em 2022, reúne os três partidos que integram a base histórica do governo. Como fazem parte da mesma federação, as legendas atuam de forma conjunta nas eleições e no Congresso Nacional.
➡️ Federação PSOL/Rede (PSOL e Rede): reúne os dois partidos que apoiam a reeleição de Lula em 2026.
O PSOL é um dos aliados históricos do petista. Já a Rede Sustentabilidade tem entre suas principais lideranças a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que integra o governo Lula e será candidata ao Senado em São Paulo, na chapa de Fernando Haddad.
Investigações sobre o filho
Lula inicia mais uma campanha eleitoral em meio ao avanço de investigações sobre seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Na última semana, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de dois inquéritos para apurar se Lulinha cometeu os crimes de tráfico de influência e corrupção.
A suspeita é que o filho do presidente autou para favorecer lobistas interessados em fazer negócios com instituições públicas, entre eles Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado como um dos responsáveis por desvios de aposentadorias e pensões, conforme as investigações da Polícia Federal.
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que não há nenhum fato que justifique a abertura das investigações.
"A Polícia Federal segue empreendendo esforços na perspectiva de tentar interferir no processo eleitoral. É absolutamente lamentável. Não há qualquer fato que justifique a abertura de qualquer tipo inquérito contra o Fábio Luis. Nós vamos comprovar que não qualquer tipo de relação, nem direta, nem indiretacom qualquer tipo de irregularidade", disse.
O presidente Lula disse na última quinta-feira (30), em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., que o filho responderá "como filho de qualquer pessoa" e "não vai ficar escondido".
"Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa. Como eu. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um juiz não fazer a coisa correta. Se ele tiver certo, vai ter ajuda minha. Se fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei. Sabe o que é ver na TV te chamarem de ladrão. Sabe que minha mulher morreu por causa da Lava Jato."
Outros candidatos já fizeram convenções
Flávio Bolsonaro lançou a candidatura em 25 de julho. Ronaldo Caiado (PSD), no dia 26, e Romeu Zema (Novo), no dia 27. Neste sábado (1º), foi a vez de Renan Santos (Missão).
Lula será o último dos cinco principais candidatos a fazer sua convenção.

Plantão Guarujá