Diante da confirmação de casos de sarampo no estado de São Paulo, municípios da Baixada Santista intensificaram a vigilância epidemiológica e a oferta da vacina tríplice viral. A estratégia faz parte da Campanha de Multivacinação, que disponibiliza doses em todas as unidades básicas de saúde da região e prevê um Dia D de mobilização nacional em 22 de agosto.

A infectologista Elisabeth Dotti explica que a mobilização regional responde ao alerta provocado pela baixa adesão vacinal e pelo aumento do fluxo de viajantes, fatores que favorecem a circulação do vírus. Para evitar complicações graves, os municípios reforçaram a busca ativa por pessoas com esquema vacinal incompleto e ampliaram a capacitação das equipes de saúde.

O sarampo apresenta uma característica epidemiológica preocupante: a pessoa infectada pode transmitir a doença antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

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“É uma doença altamente contagiosa. A transmissão acontece pelo ar, quando uma pessoa infectada respira, fala, tosse ou espirra”, explica a infectologista.

Além dos sintomas semelhantes aos de uma gripe e da vermelhidão nos olhos, a especialista orienta que pais e responsáveis observem o aparecimento das manchas de Koplik, pequenos pontos esbranquiçados na parte interna da boca que costumam surgir antes das manchas vermelhas pelo corpo.

Cobertura vacinal preocupa

Embora a Baixada Santista não registre casos de sarampo em 2026 e Santos mantenha índice zero desde 2020, a queda na cobertura vacinal acendeu o alerta das autoridades de saúde.

Em Santos, a cobertura da primeira dose recuou de 98,06%, em 2025, para 87,95% neste ano. Em Peruíbe e Praia Grande, a cobertura da segunda dose gira em torno de 70%. Já Mongaguá registra apenas 54,4% de cobertura da segunda dose da tríplice viral, índice significativamente abaixo da meta de 95% preconizada pelo Ministério da Saúde

O reforço da vacinação busca criar um cinturão de proteção para impedir que os casos confirmados no estado de São Paulo, concentrados na Capital e na região do ABC Paulista, cheguem ao litoral.

“A vacinação é a forma mais eficaz de combate e controle da doença. O sarampo exige isolamento respiratório e investigação rápida, justamente por sua enorme capacidade de transmissão”, reforça Elisabeth.

Quem deve se vacinar

A campanha não é destinada apenas ao público infantil. De acordo com o calendário de imunização. Pessoas de 5 a 29 anos devem comprovar duas doses da vacina já pessoas de 30 a 59 anos devem comprovar pelo menos uma dose.

A mobilização na Baixada Santista segue até 1º de setembro, com o Dia D marcado para 22 de agosto, em todas as cidades da região.

Em Santos, o atendimento será ampliado com postos itinerantes nos dias 15 e 23 de agosto, incluindo ações na Zona Noroeste e na orla, para facilitar o acesso da população que não consegue comparecer às policlínicas durante a semana.

Paralelamente à vacinação, as secretarias municipais mantêm equipes mobilizadas para a busca ativa de pessoas com vacinação incompleta e o monitoramento de casos suspeitos nas redes pública e privada de saúde.

“É muito importante verificar a carteira de vacinação de toda a família. Quem estiver com doses atrasadas ou não souber se está adequadamente vacinado deve procurar uma unidade de saúde para avaliação”, conclui a infectologista.