A Bienal do Livro do Rio de Janeiro, através do projeto Bienal nas Escolas, inova este ano ao realizar sua primeira edição fora do calendário do evento principal, que ocorre em anos ímpares. Com foco na Copa do Mundo, a ação visa promover a leitura entre estudantes do Rio de Janeiro, tendo começado em abril na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Oswaldo Cruz, e com planos de expandir para ao menos seis escolas ao longo do ano.

Organizada pela GL Events Exhibitions, responsável pelo evento literário, em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), a iniciativa busca levar o universo dos livros diretamente aos alunos. Bruno Henrique, Diretor de Marketing e Conteúdo da GL, enfatizou em entrevista à Agência Brasil a importância de alcançar os jovens no ambiente escolar.

“É lá que se forma o senso crítico e se tem, como em casa também, os principais valores de educação, de aculturamento”, afirmou Henrique, destacando o carinho da organização pelo projeto. “O Bienal das Escolas surge da compreensão do propósito da força da Bienal do Livro do Rio.”

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Álbum literário da Copa

Para criar uma conexão com o evento da FIFA, a Bienal nas Escolas apresenta um “álbum de figurinhas” com uma seleção literária. Este álbum reúne personagens icônicos da literatura clássica de diversas nações, como Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan.

“Não tem como fugir desse assunto, porque a Copa do Mundo mobiliza vários países, e o Brasil, obviamente, é um deles”, explicou o diretor. Ele acrescentou que “para a criançada, tem a brincadeira do álbum de figurinhas, que está sempre associado ao evento, mesmo para quem não gosta de futebol”.

A dinâmica de troca de figurinhas e a completude do álbum estimulam uma relação lúdica com as narrativas, ampliando o contato dos estudantes com diferentes referências literárias. O tema escolhido para o projeto deste ano, “Livros Mudam o Jogo”, reflete o propósito de posicionar o livro como fonte de entretenimento, prazer, educação e cultura.

Neste ano, o projeto conta com o patrocínio da OLX e da Accenture, e tem como meta distribuir 100 livros para cada escola participante, contribuindo para o fortalecimento de bibliotecas e salas de leitura.

Diálogo com escritoras

Na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, a escritora Kiusam de Oliveira, reconhecida por sua literatura afrodidática, foi a convidada especial. Kiusam ressaltou a relevância da representatividade, da educação e do estímulo à imaginação desde a infância.

Ela descreveu o encontro com os alunos como potente, “especialmente porque reconheço as histórias e as vivências desses estudantes. Eu sou uma mulher preta, professora há mais de 40 anos, e trago essa trajetória para dentro da minha escrita”.

Para Kiusam de Oliveira, tudo se inicia com a “leitura do mundo”, antecedendo a leitura das palavras. “É isso que me move como educadora e como escritora. Quando a criança se vê, quando ela se reconhece, ela entende que pode sonhar, que pode transformar a própria realidade. E é esse o meu compromisso: escrever para que essas crianças aprendam a sonhar e se reconheçam como potentes.”

Lara Braga, de 10 anos, uma das estudantes, expressou sua admiração pelos livros de Kiusam, citando “Com qual penteado eu vou” e “Tayó em quadrinhos”. “Eu gosto porque eles falam de coisas importantes, como o respeito com o cabelo e com a cor da pele. Ler faz a gente sair um pouco das telas e ir para outros lugares. Acho que ajuda na imaginação e faz a gente aprender mais para o futuro”, disse a menina.

O próximo encontro, agendado para 11 de junho na Escola Municipal Sarmiento, no Engenho Novo, contará com a presença da escritora Andrea Taubman, que abordará seu livro “Não me toca, seu boboca!”. A seleção dos autores é realizada em colaboração com as secretarias municipais e estaduais de Educação.

Bruno Henrique informou que, inicialmente, cinco escolas estão programadas para serem visitadas, beneficiando cerca de 1 mil alunos com idades entre 6 e 10 anos. “Mas esse número pode ser estendido, dependendo se for obtido mais apoio da iniciativa privada”, concluiu.

Impacto no incentivo à leitura

Desde 2019, o projeto já alcançou 25 escolas, com uma média de 170 alunos atendidos por visita. Somente no ano anterior, 11 escolas foram integradas, beneficiando um total de 2,2 mil estudantes, que tiveram a oportunidade de interagir com escritores como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França.

Uma pesquisa conduzida em 2025 com as escolas participantes revelou um aumento de 25% na procura por livros em bibliotecas municipais e estaduais. “A gente percebeu que, por onde o projeto passou, mudou o comportamento, a cultura e a busca pelo livro”, avaliou Bruno Henrique.

“Então, eu acho que esse reforço do impacto positivo no ambiente escolar e esse aumento na busca por livros nas escolas do ano passado foi muito importante para entender que estamos no caminho certo com o projeto”, finalizou o diretor, reforçando o sucesso da iniciativa na promoção da leitura.

FONTE/CRÉDITOS: Alana Gandra - repórter da Agência Brasil