A consulta pública sobre educação bilíngue de surdos no Brasil chega ao fim neste sábado (25). A iniciativa permite que professores, gestores públicos e a sociedade civil enviem contribuições para embasar as novas diretrizes nacionais dessa modalidade escolar, prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB).

O edital de chamamento foi publicado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em 26 de junho. Para registrar contribuições, os interessados devem acessar a plataforma Brasil Participativo utilizando o login do portal Gov.br.

As propostas recebidas ajudarão a estruturar as normas que asseguram direitos educacionais, culturais e linguísticos aos alunos. O público-alvo abrange estudantes surdos, surdocegos, com deficiência auditiva sinalizantes, além daqueles com altas habilidades, superdotação ou outras deficiências associadas.

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Essas regras farão parte da Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS). O objetivo principal é promover a equidade e assegurar o direito a um processo de ensino e aprendizagem com qualidade nas redes do país.

Diretrizes funcionam como guia para redes de ensino

O documento elaborado pelo CNE atua como um direcionamento teórico. Com ele, as redes de ensino de todo o país saberão como estruturar, ampliar e consolidar a modalidade na Educação Básica.

O texto estabelece normas fundamentais para a estruturação do ensino:

· Língua Brasileira de Sinais (Libras) como idioma principal de instrução, comunicação e ensino;

· Língua portuguesa na modalidade escrita ensinada formalmente como segunda língua;

· Criação de espaços que favoreçam a interação e valorização da identidade e cultura em Libras;

· Formação inicial e continuada de docentes e demais profissionais da educação;

· Produção de materiais didáticos e recursos pedagógicos específicos;

· Fortalecimento de escolas bilíngues, turmas bilíngues e unidades polo;

· Envolvimento direto da comunidade surda no planejamento, execução e avaliação das políticas públicas.

Desafios na inclusão da comunidade surda

Dados do Censo Escolar de 2024 revelam a existência de 61.623 matrículas desse público na educação básica. No entanto, a infraestrutura disponível nas redes municipais e estaduais ainda enfrenta limitações expressivas.

Apenas 12% das redes contam com materiais pedagógicos adequados em Libras, e as provas em videolibras alcançam somente 1,31% dos alunos. Além disso, embora cerca de 51% das unidades tenham Salas de Recursos Multifuncionais, persiste a escassez de suporte bilíngue especializado.

O quadro docente também demanda atenção, visto que apenas 2.501 professores possuem formação continuada em Educação Bilíngue de Surdos em todo o país.

Para enfrentar esse cenário, a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (PNEBS) busca fortalecer a atuação pública, visando qualificar o ensino e efetivar os direitos garantidos aos estudantes em todo o território nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil