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Um mercado abandonado no bairro José Menino, em Santos, no litoral de São Paulo, tem provocado preocupação entre moradores dos edifícios vizinhos. O imóvel, localizado na Avenida Presidente Wilson, vem sendo invadido com frequência, segundo moradores, que relatam furtos e circulação de pessoas no local.
De acordo com Danilo Teixeira Eleutério, síndico profissional de um dos condomínios vizinhos, as invasões se intensificaram há cerca de dois meses, depois que a segurança que havia sido instalada no imóvel deixou de atuar. A unidade do Pão de Açúcar Fresh foi atingida por um incêndio em novembro do ano passado.
“A gente teve aqui um incêndio e logo na sequência teve uma providência por parte do mercado de colocar segurança. Então, o terreno não era invadido. O mercado, mesmo com o incêndio, não tinha qualquer invasão, só que essa segurança deixou de existir”, afirma Danilo.
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Segundo o síndico, depois da retirada dos seguranças, moradores passaram a perceber que o imóvel estava sendo acessado e que objetos começaram a desaparecer. “Com isso, os moradores começaram a visualizar o imóvel e verificar o que poderia ser, de certa forma, furtado”, relata.
Do prédio vizinho, é possível observar sinais de depredação e a falta de equipamentos que pertenciam ao antigo estabelecimento. Dois aparelhos de ar-condicionado já foram retirados do imóvel, conforme os moradores.
Condomínios reforçam segurança
O problema também levou os condomínios da região a adotarem medidas próprias para evitar que as invasões se espalhem para as áreas residenciais.
Danilo conta que a cerca elétrica foi reforçada, assim como os portões e as travas de acesso. O condomínio também contratou um porteiro para ampliar o período de vigilância. “Chegamos até a contratar um outro porteiro para fazer um turno a mais, para inibir também qualquer tipo de invasão”, explica.
A preocupação chegou aos apartamentos. Segundo o síndico, moradores dos primeiros andares passaram a manter as luzes acesas durante a noite como forma de aumentar a sensação de segurança.
“Eles deixam a iluminação do apartamento acesa para causar um impacto de maior segurança do condomínio”, diz.
Morador do mesmo condomínio, o corretor de café Marco Polo Menin mostra um dos pontos utilizados para acessar o imóvel abandonado: o portão dos fundos, na Rua Rio Grande do Sul.
Segundo ele, inicialmente as invasões aconteciam pela parte superior do imóvel. A cerca que deveria impedir o acesso está danificada.
“Eles começaram invadindo por cima, que você pode ver que a cerca já está totalmente danificada. E hoje em dia, para você ter uma ideia de como ficou a situação, não tem nenhuma atitude cabível para resolver”, afirma.
Marco demonstra a facilidade para entrar no imóvel e chama atenção para o risco representado aos moradores.
“Até eu, com 1,85 metro de altura e mais de 100 quilos, consigo entrar perfeitamente para roubar. Para entrar em um prédio, em uma propriedade abandonada, que está dando prejuízo e causando medo para os moradores, tanto do meu prédio como do prédio vizinho”, relata.
Ar-condicionados foram furtados
A reportagem também teve acesso a outro edifício residencial localizado ao lado do antigo supermercado. Segundo os moradores, três aparelhos de ar-condicionado foram furtados apenas naquela lateral do imóvel.
Um quarto equipamento teria sido alvo de uma tentativa de furto durante a madrugada. O aparelho permaneceu no local, mas os sinais de tentativa de retirada são visíveis. “As invasões têm continuado durante o dia, à noite e, de madrugada, nem se fala”, afirma Marco.
Síndica de outro condomínio vizinho, Andréa Barbosa Paranhos afirma que os moradores temem que os invasores consigam passar do imóvel abandonado para as áreas residenciais.
“Eles podem subir no nosso muro. Claro que eles já viram bicicletas e tudo mais. Eles não têm medo de nada”, afirma.
Segundo ela, moradores chegaram a tentar chamar a atenção das pessoas que entram no imóvel, mas não conseguem impedir as invasões.
“Nossos condôminos estão todos agora tentando chamar atenção pelas janelas, mas eles ainda tiram um sarro da gente”, relata.
Para os moradores, a situação ultrapassou a questão da segurança patrimonial e passou a afetar a rotina de quem vive nos edifícios.
Moradores cobram providências
Danilo afirma que os condomínios já procuraram diferentes órgãos para relatar o problema. Segundo ele, a Guarda Civil Municipal, a Polícia Militar e a Prefeitura foram acionadas.“Não que eles não venham até o imóvel, só que eles não entram no imóvel”, explica.
O síndico afirma ainda que os moradores já presenciaram pessoas saindo do antigo supermercado carregando objetos. “Eles saem com portas de frigoríficos de lá de dentro e a gente não sabe até quando isso vai”, diz.
Para Danilo, embora exista uma questão social relacionada às pessoas que ocupam o imóvel, é necessário encontrar uma solução para evitar novos furtos e garantir a segurança dos moradores.
Andréa pede que as autoridades ampliem o patrulhamento na região enquanto uma solução definitiva não é encontrada.
“A gente pede providência para as autoridades, que ajudem, que deixem um carro, pelo menos por dois dias, para a gente ter um pouco de paz, até que se resolva essa situação desse terreno”, afirma.
Marco também cobra uma ação do proprietário do imóvel. “A polícia vem e vai embora e não pode fazer nada. Gostaria que o proprietário do imóvel tomasse uma solução, fizesse alguma coisa, por favor”, conclui.
Incêndio atingiu supermercado em novembro
O imóvel foi atingido por um incêndio em novembro do ano passado. Na ocasião, as chamas ficaram concentradas na área do depósito da unidade do Pão de Açúcar Fresh, na Rua Rio Grande do Sul.
Segundo informações divulgadas pelo Corpo de Bombeiros na época, seis viaturas e 16 profissionais atuaram no combate ao fogo. Três pessoas precisaram ser socorridas após inalarem fumaça.
À Santa Cecília TV, a Polícia Militar informou que vai considerar os relatos apresentados pelos moradores no planejamento das ações realizadas no local. A Guarda Civil Municipal afirmou que realiza rondas no bairro, mas não tem competência para entrar em imóveis particulares.
A reportagem entrou em contato com o grupo que administrava o supermercado para questionar a situação do imóvel, os furtos relatados e a existência de medidas para impedir novas invasões, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

Plantão Guarujá