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No Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, o controle do colesterol desde a infância foi apontado como crucial para evitar complicações cardiovasculares graves. Em entrevista à Agência Brasil, Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), explicou que a identificação precoce de taxas alteradas previne infartos e derrames no futuro.
O especialista citou um estudo recente recomendando que todas as pessoas realizem o rastreio lipídico aos 10 anos de idade, acompanhado do exame de glicose. Segundo Alves, a medição preventiva permite diagnosticar precocemente a elevação das taxas e orientar o tratamento adequado.
Além do exame, a adoção de um estilo de vida saudável é essencial para conter múltiplos fatores de risco. Caso o teste indique alterações, o paciente deve buscar orientação médica imediata e evitar interromper o tratamento prescrito sem autorização profissional.
Alves fez um alerta incisivo contra a desinformação veiculada na internet por pessoas que sugerem a suspensão de remédios. Ele enfatizou que abandonar a medicação faz os níveis lipídicos subirem novamente, assim como ocorre no diabetes e na hipertensão.
A farsa da dieta carnívora
A SBC adverte que hábitos inadequados prejudicam o metabolismo global. O cardiologista rechaçou a dieta carnívora — que consome exclusivamente carnes e elimina vegetais —, classificando a prática como uma invenção sem respaldo científico para tratar a hipercolesterolemia.
Uma alimentação protetora exige equilíbrio entre proteínas, carboidratos e gorduras de qualidade. A dieta restrita a carnes é rica em gordura saturada, responsável por elevar o LDL, o chamado colesterol ruim, aumentando os riscos de aterosclerose.
Pessoas com taxas elevadas devem moderar a carne vermelha para evitar a formação de placas nas artérias e o aumento do ácido úrico. Alves resumiu de forma direta: a dieta puramente carnívora não é aconselhável sob nenhuma perspectiva clínica.
Estilo de vida e fatores de risco
Para baixar as taxas, a mudança comportamental é o primeiro passo. É preciso cortar excessos de gorduras saturadas presentes em carnes gordas, embutidos e chocolates, além de abolir a gordura trans de ultraprocessados como biscoitos recheados.
O cardiologista destacou que ajustes alimentares reduzem entre 5% e 10% do colesterol, pois cerca de 70% da substância é produzida pelo próprio organismo. Níveis acima de 300 mg/dL indicam forte componente genético, exigindo intervenção medicamentosa.
A atividade física regular também é indispensável, sendo recomendados de 150 a 300 minutos semanais. Adicionalmente, o sono de má qualidade e o estresse continuado elevam a inflamação nas artérias e aceleram a aterosclerose, agravando o quadro cardiovascular.
A importância das estatinas
Casos genéticos exigem o uso continuado de medicamentos, sendo as estatinas a principal classe prescrita. Quando a monoterapia não atinge a meta estipulada, outros fármacos podem ser associados pelo cardiologista conforme o risco do paciente.
Alves enfatizou que a eficácia das estatinas é respaldada por evidências científicas sólidas desde 1994. Elas comprovadamente reduzem a incidência de infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e mortalidade por doenças cardiovasculares na população.
Apesar disso, o médico lamentou a propagação de mitos nas redes sociais que questionam a existência do colesterol ou condenam o remédio. Para ele, tais discursos irresponsáveis visam ao marketing pessoal e colocam a vida dos pacientes em perigo.
Hipercolesterolemia familiar e obesidade
A hipercolesterolemia familiar é uma disfunção genética grave que eleva o colesterol drasticamente ainda na infância, podendo causar infartos em crianças de 10 anos. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar o tratamento imediato e salvar vidas.
Já a obesidade associa-se comumente à síndrome metabólica, englobando hipertensão, diabetes e acúmulo de gordura abdominal. Essa condição gera um estado inflamatório crônico que desestabiliza placas arteriais, elevando significativamente o risco de infarto.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, doenças cardiovasculares lideram os óbitos globais. Além da obesidade, condições inflamatórias como lúpus, HIV e artrite reumatoide também aumentam o risco vascular e exigem vigilância médica constante.

Plantão Guarujá