Mais de 3 milhões de adolescentes no Brasil deixaram de tomar a segunda dose da vacina contra a dengue, deixando o esquema vacinal incompleto. O alerta foi apresentado por Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), durante a Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, no Rio de Janeiro, destacando a necessidade de imunização antes do aumento de casos.

A imunização completa exige duas aplicações com intervalo de três meses. Segundo os dados do PNI, já foram administradas 11,8 milhões de doses no país — 7,6 milhões de primeira dose e 4,2 milhões de segunda. Contudo, quase 4 milhões de unidades repassadas aos municípios ainda continuam paradas sem aplicação.

Gatti enfatizou que o ideal é imunizar os jovens no período intersazonal para garantir proteção antes do verão, período habitual de alta da doença. O impacto das elevadas temperaturas e do fenômeno El Niño pode intensificar a transmissão do vírus na próxima temporada sazonal.

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Apesar da capacidade limitada de produção da farmacêutica Takeda, fabricante da Qdenga, o fornecimento para o público de 10 a 14 anos está garantido. O contrato vigente com o governo brasileiro prevê o envio de 9 milhões de doses este ano e um lote similar em 2027.

Ampliação no SUS e avaliação de segurança

A faixa de 10 a 14 anos foi priorizada no Sistema Único de Saúde (SUS) por apresentar maior risco de hospitalização e gravidade entre as faixas etárias analisadas nos ensaios clínicos. A expansão da oferta para pessoas mais velhas é estudada, mas depende de capacidade orçamentária e operacional.

O diretor do PNI também tratou da suspensão preventiva dos testes da vacina produzida pelo Instituto Butantan. A paralisação ocorreu após o registro de três casos de dengue grave em imunizados, com dois óbitos, em um universo de mais de 500 mil voluntários.

A pausa temporária visa investigar se há relação de causalidade com o imunizante nacional. Apontada como uma estratégia promissora, a vacina do Butantan tem potencial para atender até 60 milhões de pessoas por ano assim que todas as dúvidas sobre segurança forem sanadas.

FONTE/CRÉDITOS: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil