Mesmo após sobreviver a 13 facadas em 2025, a vítima continuou sendo alvo de ameaças de morte explícitas, como “vou te queimar viva”, culminando na invasão ocorrida na última semana e capturada em vídeo.

O jovem foi preso no Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, na última segunda-feira (11).

Imagens de monitoramento

O vídeo do circuito de segurança mostra o momento exato em que Thalys ignora a medida protetiva e invade a residência. Ele aproveita uma falha no portão da vítima para entrar no quintal com sua motocicleta por volta de 0h do último dia 5.

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Dentro da residência, onde não há imagens de monitoramento, a vítima se defendeu do ataque. “Quando ele chegou, a água já estava esquentando. Eu o vi, me assustei, me tremi e ele já foi tentar me agredir novamente. Quando ele levantou, pedi para ele abaixar para ver um negócio debaixo da pia e joguei a água nele”, relata a mulher.

Antes da agressão, ela havia enviado uma mensagem para a irmã avisando que o acusado havia chegado e pediu para que ela corresse até o local. Quando a irmã chegou, a vítima já estava saindo da casa e ambas correram juntas. Logo na sequência das imagens, é possível ver a irmã da vítima gritando e correndo atrás de Thalys, após ele ser atingido pelo líquido fervente.

Ameaça por mensagens mesmo após as 13 facadas

O material obtido pela reportagem mostra que a medida protetiva não foi barreira para o agressor. Em capturas de tela (prints), Thalys afirma que nada o impediria de matá-la. Em uma chamada telefônica, ele questiona com frieza: “Tá viva ainda? Você sabe que não acabou ainda, né? Você vai me pagar por tudo o que me fez”.

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Histórico de agressões inclui 13 facadas

A vítima, que não será identificada, conta que conheceu Thalys em agosto de 2025 por meio de amigos em comum. No início do relacionamento, segundo a mulher, o rapaz a tratava bem, mas após dois meses, ele passou a demonstrar crises de ciúmes e atitudes agressivas.

Após a mudança no comportamento do jovem, a vítima decidiu terminar o namoro, o que gerou a primeira agressão física. “Eu falei que não queria mais, mas ele não aceitou muito bem. Ele me deu um soco no olho e tive que trabalhar a semana inteira com um roxo no rosto”, relembra.

Após o ocorrido, houve a separação, momento em que Thalys começou a ameaçá-la. Uma semana após a primeira agressão, no dia 22 de outubro de 2025, ele desferiu as facadas. “Foram 13 facadas em todo o meu corpo. Fui para o hospital, mas ele nunca deixou de me ameaçar e sempre me ligava de números desconhecidos. Pedi a medida protetiva e tive que ir para São Paulo. Fiquei um tempo por lá, mas, desde que voltei, não tive paz”, afirma a vítima.

Ainda segundo o relato, em abril deste ano, o acusado voltou a procurá-la pedindo que retirasse a medida protetiva para que ele pudesse ver o filho de um relacionamento anterior. Após muita insistência, ela decidiu que iria retirá-la, mas a casa foi invadida antes que o procedimento fosse realizado.

O advogado da vítima, Paulo Leandro Ferreira, afirma que a jovem passou por sete meses de terror. “Acompanhamos o processo e o inquérito policial para que ele seja condenado e possa cumprir sua pena, permitindo que ela tenha a vida normalizada novamente”, declarou.

Versões do caso

O delegado Rogério Pezzuol, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente, esclareceu que a prisão preventiva foi efetuada pelo descumprimento da medida protetiva. Ele reiterou que a reação da vítima com água quente ocorreu estritamente para cessar uma “agressão iminente”, configurando legítima defesa. Pezzuol informou ainda que as investigações prosseguem: “Estamos analisando outros delitos; assim que apurados, vamos relatá-los no inquérito”.

Por outro lado, o advogado de Thalys, Alex Sandro Gomes da Silva, busca suavizar a conduta de seu cliente. Ele alega que o jovem não teve a intenção de matar no episódio das 13 facadas, mas sim de “lesionar ou dar um susto”.

A defesa sustenta ainda que Thalys desconhecia a medida protetiva por não ter sido intimado pessoalmente, tendo sido citado apenas por edital. Por fim, o advogado afirma que ambos mantinham contato voluntário e convivência pacífica por meio de mensagens antes da invasão, tendo inclusive se encontrado na noite anterior aos fatos.