As instituições financeiras dispõem de cinco dias úteis para reportar ao governo os débitos que pretendem incluir na primeira etapa do programa Desenrola. A determinação foi oficializada por meio de uma portaria publicada em edição extraordinária do Diário Oficial da União.

Essa fase inicial foca na habilitação de bancos e fundos interessados em negociar com a União. Na última quarta-feira (21), o Ministério da Fazenda estimou que o volume de débitos antigos passíveis de apresentação alcance a marca de R$ 90 bilhões.

Mesmo com essa quantia projetada, o impacto máximo para a aquisição integral seria de R$ 9 bilhões, levando em conta o desconto mínimo de 90% estipulado pelas diretrizes. É fundamental destacar que este momento inicial não representa uma convocação para os consumidores quitarem seus débitos.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Como funcionará

O chamamento público é voltado para bancos, instituições financeiras e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Para avançar, os credores precisam selecionar carteiras que cumpram as exigências e aceitem os patamares mínimos de deságio.

O fluxo operacional compreende quatro etapas essenciais:

  • Chamamento: publicação do edital para manifestação de interesse dos credores;
  • Apresentação das carteiras: prazo de cinco dias úteis para informar os débitos elegíveis;
  • Definição do leilão: análise do volume apresentado, com separação por faixas de renda;
  • Compra das dívidas: realização do leilão, previsto para novembro, com possibilidade de adiamento para o início de dezembro.

A estratégia governamental busca priorizar devedores de menor renda e microempreendedores individuais (MEIs). Contudo, caso a adesão desse público fique abaixo do esperado, a União poderá direcionar recursos para adquirir créditos de faixas de renda mais elevadas.

Custos e projeções

A projeção inicial indica que os credores submetam até R$ 90 bilhões em obrigações financeiras. Como o programa exige um deságio de pelo menos 90%, o desembolso federal seria de no máximo 10% do valor nominal total.

Isso significa que a aquisição completa de todas as carteiras mapeadas custaria cerca de R$ 9 bilhões aos cofres públicos. Contudo, o governo não tem a obrigatoriedade de comprar todo o montante apresentado.

O objetivo central é estipular um teto orçamentário para o leilão e fomentar a competitividade entre os credores. Essa dinâmica pode gerar descontos ainda maiores, variando de 93% a 95% conforme o material recebido dos bancos.

Quais dívidas entram

O Desenrola 3.0 foi instituído por medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mecanismo consiste na compra de carteiras de crédito antigas pela União, facilitando a posterior renegociação com os cidadãos.

Os critérios definidos para a seleção dos débitos englobam:

  • Dívidas de até R$ 10 mil, considerando o valor original do débito;
  • Atrasos entre 720 e 1.645 dias, o equivalente a aproximadamente dois anos e quatro anos e meio;
  • Débitos de cartão de crédito, incluindo as modalidades rotativa e parcelada, e de crédito pessoal sem consignação em folha;
  • Possibilidade de inclusão de dívidas elegíveis de pessoas físicas e MEIs, conforme as regras do programa.

No anúncio oficial, a expectativa era de que o volume total elegível atingisse R$ 150 bilhões. A cifra de R$ 90 bilhões divulgada agora reflete especificamente o potencial da primeira chamada organizada para o mercado financeiro.

Renegociação

Passado o leilão, os créditos adquiridos pelo governo serão disponibilizados para repactuação com os devedores, repassando os descontos obtidos na compra.

O cidadão poderá optar pela quitação à vista ou pelo parcelamento da dívida, modalidade que incluirá a incidência de juros. Os prazos e taxas definitivos ainda passarão pelo crivo do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Neste momento, os consumidores não devem procurar as agências bancárias, pois as regras específicas para o atendimento ao público serão detalhadas pelo governo em etapas futuras.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil