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A família de uma idosa de 94 anos denuncia possíveis maus-tratos sofridos durante a permanência em uma clínica particular, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Maria Emília Tavares Quintas morreu poucos dias após chegar ao local.
De acordo com os familiares, a idosa foi internada na Casa de Repouso Joia Rara, no bairro Vila Caiçara, no dia 15 de junho, após sua filha, que mora em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, decidir pela internação. Segundo a família, desde o primeiro dia havia um revezamento entre netos, noras e demais parentes, garantindo visitas diárias.
“Ela ficou internada durante 14 dias em uma clínica de Praia Grande. Eu moro em Mogi Guaçu.
Ela morava comigo aqui e resolvi colocá-la em uma casa de repouso próximo aos familiares. Minha família é de Praia Grande. Então eu ligava quase todos os dias para a proprietária perguntando como ela estava e ela me falava que a minha mãe estava bem. Até que minha e cunhada e sobrinha foram visitá-la no dia 28 e me informaram que o estado se saúde dela não era bom. Ela se encontrava em estágio avançado de Alzheimer, mas bem diferente de quando a deixei. A minha mãe estava com aspecto de desidratação, desnutrição, ferimentos e alimentação fora dos horários previstos em contrato”, disse Rosemeire Quintas Honorato, filha da idosa, em entrevista ao Santa Portal.
Diante da situação, Maria Emília foi imediatamente retirada da instituição e encaminhada ao hospital por sua filha. A idosa faleceu na última terça-feira (30).
“No dia 29 fui pronta pra retirar minha mãe de lá. Chamei a polícia e relatei a situação, mas nada fizeram e me orientaram que eu poderia ir até a delegacia dar prosseguimento. Não tinha com quem deixar minha mãe naquele dia e levá-la junto se tornou inviável devido as condições em que ela estava.
Voltei com ela pra Mogi Guaçu e no mesmo dia a minha mãe foi internada, vindo a falecer no dia seguinte”, acrescentou a filha de Maria Emília.
A família registrou um Boletim de Ocorrência e também formalizou uma denúncia junto ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), solicitando a apuração dos fatos e a investigação sobre as condições de atendimento e os cuidados prestados à idosa durante o período em que esteve internada na clínica.
“(Sentimento de) revolta e angústia. Da minha parte também arrependimento de deixá-la onde era pra ser bem cuidada e não foi o que aconteceu. Infelizmente, ela teve sofrimento nos últimos dias de vida”, desabafou Rosemeire.
Casa de Repouso se manifesta
Em contato com o Santa Portal, a Casa de Repouso Joia Rara informa que repudia veementemente as falsas acusações de maus-tratos.
Por meio do responsável pela instituição, a Casa Joia Rara afirma que “possui um histórico impecável no cuidado de idosas. Convidamos e nos colocamos à disposição para qualquer verificação junto ao Ministério Público e à Vigilância Sanitária. Nunca tivemos nenhum problema ou registro de irregularidade em nossa trajetória. Nossos clientes atuais e suas famílias conhecem nossa conduta e estão ao nosso lado”.
De acordo com a Casa de Repouso, a idosa em questão permaneceu na instituição por apenas 14 dias. Durante esse curto período, recebia visitas frequentes (chegando a duas vezes no mesmo dia) e realizava videochamadas diariamente com os familiares. “Em nenhum momento qualquer visitante ou colaborador presenciou qualquer indício de maus-tratos”, destaca.
Além disso, a Casa Joia Rara afirma que a paciente era acometida por Alzheimer avançado e câncer, vindo a falecer no ambiente hospitalar em decorrência de sua condição clínica delicada. “Reiteramos que, caso houvesse qualquer sinal de violência ou maus-tratos, o próprio hospital teria acionado as autoridades e o boletim de ocorrência teria sido imediato, o que não ocorreu. Inclusive, a própria direção da Casa de Repouso manifestou o desejo de que fosse realizado o exame de corpo de delito para provar a idoneidade do serviço prestado”.
Um dia antes da hospitalização, a própria gerência da Casa de Repouso diz que entrou em contato com a família solicitando a transferência da idosa para o hospital, advertindo os parentes sobre a forma inadequada com que estavam manuseando a idosa (puxando-a pelo braço), fato que gerou descontentamento por parte dos familiares.
A instituição afirma ainda que o Boletim de Ocorrência contra a Casa de Repouso só foi registrado pela acusadora três dias após a gerência da instituição “se recusar expressamente a pagar uma quantia em dinheiro exigida por ela. Fica evidente que a motivação não é a busca por justiça, mas sim uma tentativa de obter vantagem financeira indevida”.
“Toda a nossa comunicação, registros de visitas e conversas que comprovam a lisura do nosso atendimento e a tentativa de extorsão estão devidamente documentados e salvos”, conclui a direção da Casa Joia Rara que, diante dessa situação, pretende tomar as medidas judiciais cabíveis contra a família da idosa.

Plantão Guarujá