O novo "Lilo & Stitch" é a melhor refilmagem com atores de uma animação da Disney em quase uma década.
 
Baseada no desenho de 2002, é uma das poucas adaptações do estúdio que de fato justificam sua existência graças à escalação fundamental da versão em carne e osso de sua jovem protagonista e à beleza do cenário havaiano.
 
A adaptação, que estreia nesta quinta-feira (22) nos cinemas brasileiros, simplesmente já nasceria morta sem a escolha da estreante Maia Kealoha como sua Lilo da vida real. Com o apoio de um elenco certeiro, a pequena dá vida a algo que poderia ser apenas mais um exemplar da longa lista de refilmagens dispensáveis de obras do estúdio.
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Infelizmente, tantos erros ou resultados medianos em sequência como "Branca de Neve" (2025) ou "A pequena sereia" (2023) claramente deixaram a Disney mais reticente em relação ao gênero.
 
Tal hesitação talvez explique os claros limites de orçamento nos efeitos visuais. O alienígena fofinho e encapetado do título está ótimo. O mesmo não pode ser dito sobre as demais criaturas extraterrestres da história.
 
Inocência caótica
 
Apesar de algumas pequenas mudanças, a maioria delas para a melhor, a história continua a mesma. Nela, um pequeno monstro alienígena criado para a destruição foge para a Terra e se aproxima de uma garotinha (Kealoha) para se proteger de agentes enviados para capturá-lo.
 
O roteiro dos novatos Chris Kekaniokalani Bright e Mike Van Waes segue bem o que deu certo no original, como a inocência caótica – ou o caos inocente – da relação entre os protagonistas, e aprimora a construção da família no centro da trama.
 
Sem as liberdades de um desenho animado de 2002, o enredo se fortalece pela obrigação de fazer um pouco mais de sentido.
 
A narrativa inicial sobre amizade e irmandade é então desenvolvida para uma parábola sobre comunidade como um todo – uma na qual laços familiares não se limitam a ligações genéticas (ou sequer planetárias).
 
No meio tempo, o novo "Lilo & Stitch" ainda faz homenagens à animação, com participações de atores notáveis do elenco de dubladores, como Tia Carrere e Amy Hill, em novos e importantes papeis.
 
No fim do dia, no entanto, o filme nunca daria certo sem encontrar a notável Maia Kealoha para encarnar a solitária, energética e sonhadora Lilo. Aos 8 anos, a garota tem tudo para ter longa carreira em Hollywood se desejar.
 
Ao seu lado, a também pouco conhecida Sydney Agudong segura o rojão de um papel como o da irmã mais velha Nani, jovem que precisa assumir a responsabilidade após a morte dos pais.
 
O segredo do gênero
 
Tanto brilho de carne e osso torna os defeitos da computação gráfica usada nos alienígenas ainda mais gritantes ainda mais em contraste com a beleza natural do Havaí.
 
Stitch está ótimo e vai vender um zinquitilhão de bichinhos de pelúcia, mas personagens importantes como os antagonistas enviados para capturá-lo nunca superam a lembrança de uma animação de videogame em baixa resolução.
 
Nada que comprometa totalmente o resultado final, mas é difícil não imaginar como o filme poderia ficar se a Disney tivesse um pouco mais de fé em sua própria tentativa de requentar uma propriedade antiga.
 
Desde "Mogli - O menino lobo", o estúdio não conseguia que suas refilmagens mereciam de fato existir – mesmo com alguns sucessos.
 
"Lilo & Stitch" mostra que não é preciso todo o dinheiro do mundo para que isso aconteça. Talvez seja apenas o caso de uma criança adorável como protagonista e a história certa. Vai saber.