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O mercado financeiro elevou, pela segunda semana consecutiva, sua projeção para a Selic, a taxa básica de juros do Brasil, de 13,5% para 13,75% ao ano até o fim de 2026. Essa revisão ocorre às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), refletindo as expectativas dos analistas em relação ao controle da inflação.
Os dados foram divulgados no boletim Focus desta segunda-feira (16), um levantamento semanal do BC que compila as expectativas de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos do país.
Para os anos seguintes, as projeções indicam uma trajetória de queda para a Selic. Em 2027, a taxa deve recuar para 12% ao ano, e em 2028, para 10,25% ao ano. A expectativa é que, em 2029, este importante instrumento de política monetária do BC atinja 10% anualmente.
O Copom se reúne novamente nesta semana para deliberar sobre a Selic, e a expectativa predominante no mercado financeiro é de que a taxa seja mantida em 14,5% ao ano neste encontro. Na reunião anterior, em abril, o colegiado optou por uma redução unânime de 0,25 ponto percentual, a segunda consecutiva, mesmo diante das incertezas geopolíticas no Oriente Médio.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, patamar mais elevado em quase duas décadas. Embora o Copom tenha iniciado um ciclo de cortes em um período de desaquecimento da inflação, o conflito no Oriente Médio gerou impactos significativos na economia nacional, elevando os preços de combustíveis e alimentos e, consequentemente, pressionando a inflação.
Reunião do Copom e seus efeitos
A redução da Taxa Selic geralmente resulta em um crédito mais acessível, o que tende a estimular tanto a produção quanto o consumo. Contudo, essa medida pode atenuar o controle sobre a inflação, embora impulsione a atividade econômica.
Por outro lado, um aumento da Selic pelo Copom visa frear uma demanda excessiva, impactando diretamente os preços. Juros elevados tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança, o que, por sua vez, pode desacelerar a expansão econômica.
É importante notar que as instituições bancárias consideram outros elementos ao determinar as taxas de juros para os consumidores, como o risco de inadimplência, suas margens de lucro e despesas administrativas.
Projeções para a inflação
A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação no Brasil, foi revisada de 5,11% para 5,3% para este ano. As pressões econômicas decorrentes da guerra no Oriente Médio contribuíram para que a estimativa do IPCA fosse elevada pela décima quarta semana consecutiva, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Isso significa que o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.
Em maio, a inflação oficial, que registrou 0,58%, foi fortemente influenciada pela alta dos preços dos alimentos. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses alcançou 4,72%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), situando-se acima do teto da meta.
Para 2027, a estimativa para a inflação foi ajustada de 4,03% para 4,1%. As projeções para 2028 e 2029 indicam taxas de 3,68% e 3,5%, respectivamente.
Crescimento do PIB e taxa de câmbio
A edição mais recente do boletim do Banco Central também revelou uma revisão na estimativa de crescimento da economia brasileira para este ano, passando de 1,91% para 1,96%. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, mantém-se em 1,7% para 2027. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão do PIB de 2% em ambos os anos.
No primeiro trimestre de 2026, a economia nacional registrou um crescimento de 1,1% em comparação com o trimestre final de 2025. O acumulado dos últimos 12 meses aponta para uma expansão de 2%, segundo dados do IBGE.
Em 2025, a economia brasileira expandiu 2,3%, com crescimento observado em todos os setores, especialmente na agropecuária. Este resultado marcou o quinto ano consecutivo de crescimento.
Quanto à taxa de câmbio, o boletim Focus desta semana indica uma projeção de R$ 5,20 para a cotação do dólar ao final deste ano. Para o encerramento de 2027, a estimativa é que a moeda norte-americana alcance R$ 5,25.

Plantão Guarujá