Espaço para comunicar erros nesta postagem
O Ministério da Saúde apresentou recentemente um ambicioso plano estratégico destinado a fortalecer a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos desafios impostos pelo fenômeno El Niño e pelas crescentes mudanças climáticas. A iniciativa, que prevê um investimento de R$ 9,8 bilhões, visa preparar a saúde pública brasileira para responder eficazmente aos eventos climáticos extremos e seus impactos na população, com metas e ações planejadas até 2035.
Entre os pilares fundamentais da proposta estão a antecipação de riscos climáticos e a emissão proativa de alertas. O objetivo é desenvolver serviços de saúde resilientes, proteger as populações, especialmente as mais vulneráveis, e reforçar a capacidade do SUS para responder e auxiliar na reconstrução de territórios atingidos por desastres.
A estrutura do programa se apoia em cinco frentes de atuação, desenhadas para otimizar a antecipação de riscos e agilizar as respostas:
- Coordenação: Estabelecimento de salas de situação e articulação com estados, municípios e Defesa Civil.
- Fortalecimento da capacidade de saúde: Mobilização de equipes e suporte a territórios isolados.
- Comunicação: Disseminação de orientações claras para gestores, profissionais de saúde e a população em geral.
- Vigilância e alertas: Monitoramento contínuo de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos.
- Reforço de insumos: Garantia de disponibilidade de medicamentos, vacinas, água segura e estrutura para uma resposta rápida.
Adicionalmente, o plano contempla a criação de oito Centros Integrados de Saúde e Clima, que serão estrategicamente distribuídos pelas cinco regiões do Brasil. A pasta informou que o primeiro desses centros será inaugurado na Bahia, marcando o início da expansão dessa rede.
Excesso de calor
Uma ferramenta crucial que será implementada é o Painel Nacional de Excesso de Calor. Desenvolvido para subsidiar ações de vigilância, prevenção e resposta aos perigos do calor extremo, ele incluirá um sistema de alerta precoce capaz de prever situações de risco com até cinco dias de antecedência.
O conjunto de ações também abrange a ampliação da Força Nacional do SUS, que passará a contar com oito bases distribuídas pelas cinco regiões brasileiras. Essa expansão visa agilizar a resposta a emergências, oferecer suporte em eventos de massa e desastres, e estruturar a capacidade de pronta resposta em nível local.
Conforme detalhado pelo Ministério, as equipes da Força Nacional do SUS serão capacitadas para atender a qualquer tipo de emergência em um prazo de até 12 horas. Além disso, deverão iniciar ações proporcionais à complexidade do desastre em questão em até 72 horas.
Paralelamente, o Ministério da Saúde está desenvolvendo um protocolo específico para a proteção de idosos contra o calor, que oferece orientações como:
- Oferecer água regularmente, mesmo na ausência de sede.
- Evitar a exposição solar nos horários de pico de temperatura.
- Manter os ambientes domésticos bem ventilados, frescos e arejados.
- Verificar a correta administração de medicamentos de uso contínuo.
- Utilizar soro fisiológico para aliviar o ressecamento dos olhos ou narinas.
Durante uma coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reiterou a visão da pasta de que a crise climática representa, fundamentalmente, uma crise de saúde pública.
Padilha enfatizou que "a crise na saúde pública decorrente das mudanças climáticas é, talvez, uma das faces mais dolorosas e mais evidentes para a população dos impactos das mudanças climáticas".
O ministro também ressaltou dados de um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que apontou para 120 mil mortes nos últimos 20 anos diretamente associadas ao aumento da temperatura média em diversas regiões do Brasil.
Concluindo sua fala, Padilha afirmou que "a mitigação é muito importante, o esforço para reduzir emissões de carbono que impactam as mudanças climáticas é muito importante e necessário, mas a adaptação dos sistemas de saúde é algo urgente".

Plantão Guarujá