O Monitor do PIB, divulgado nesta segunda-feira (17) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que a economia brasileira cresceu 0,3% no segundo trimestre do ano. O resultado foi impulsionado pelo consumo das famílias, mesmo após a atividade registrar um recuo de 1,1% na passagem de maio para junho.

Apesar do ritmo mais lento em comparação ao ganho de 1% registrado no primeiro trimestre de 2026, o indicador acumula uma expansão de 1,8% nos últimos 12 meses. O levantamento mensal é elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) e antecipa o comportamento do Produto Interno Bruto, cuja medição oficial é feita pelo IBGE.

Perda de fôlego nos setores

De acordo com a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, o estudo evidencia uma clara desaceleração da atividade econômica no país. O movimento atingiu três dos principais segmentos analisados: agropecuária, indústria e serviços.

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Por outro lado, apenas o consumo sustentou a trajetória de alta vista no início de 2026. "Essa manutenção deveu-se, principalmente, ao bom desempenho do consumo de serviços e de produtos duráveis", destacou Trece.

Apesar da menor intensidade do crescimento trimestral, a pesquisadora ressaltou que este foi o 20º resultado positivo consecutivo da economia. O desempenho mostra resiliência frente a um cenário interno e externo desafiador.

Desafios macroeconômicos e taxa Selic

A coordenação da pesquisa reforça que a conjuntura atual é impactada pela alta do petróleo devido a conflitos no Oriente Médio, além do elevado endividamento das famílias e dos juros altos. Em agosto, o Copom reduziu a taxa Selic para 14% ao ano, patamar que ainda visa reter a inflação ao desestimular o crédito.

Componentes e projeções oficiais

No segundo trimestre, o consumo das famílias subiu 2,6%, enquanto as exportações avançaram 4,5% e as importações cresceram 5,7%. Em valores correntes, o PIB acumulou R$ 6,557 trilhões no primeiro semestre.

Outros indicadores também confirmam a desaceleração, como o IBC-Br do Banco Central, que caiu 0,6% em junho. O resultado oficial do PIB do segundo trimestre será divulgado pelo IBGE no dia 1º de setembro. O mercado projeta crescimento de 1,98% para 2026, segundo o Relatório Focus, enquanto o Ministério da Fazenda prevê alta de 2,3%.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura ─ Repórter da Agência Brasil