A mãe de Ryan da Silva Andrade Santos, menino de 4 anos morto durante uma ação da Polícia Militar no Morro São Bento, em Santos, no litoral de São Paulo, foi presa na manhã desta terça-feira (3), enquanto realizava uma perícia médica em uma agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no bairro Boqueirão. Beatriz da Silva Rosa é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas atribuído ao marido, que também morreu em uma ocorrência policial.

O mandado de prisão foi cumprido por policiais civis após informações repassadas pelo sistema de inteligência da Polícia Federal. Beatriz estava na agência para realizar uma perícia médica relacionada a um benefício de auxílio-doença.

De acordo com informações policiais, a mulher continuou sendo investigada após a morte do companheiro, Leonel Andrade Santos, sob suspeita de administrar ou lavar recursos obtidos por ele com o tráfico de drogas. O mandado foi expedido pelo Departamento de Execuções Criminais (Decrim) da 7ª Região Administrativa Judiciária (RAJ) de Santos, com validade até 3 de março de 2038.

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Morte do marido

Leonel Andrade Santos morreu em confronto com policiais militares durante uma ação do 4º Batalhão de Choque da Polícia Militar no Morro São Bento, em Santos, durante a Operação Verão.

Na mesma ocorrência, outro homem, Jefferson Ramos Miranda, também morreu após ser baleado. Segundo a versão apresentada pelas autoridades na ocasião, os dois suspeitos estavam armados e atiraram contra os policiais, que revidaram.

Após a troca de tiros, os agentes apreenderam duas armas de fogo, além de 2,5 mil pinos de cocaína, 228 porções de maconha, 196 pedras de crack e 22 porções de haxixe. Também foram recolhidos dinheiro, rádios comunicadores, um celular e anotações relacionadas à contabilidade do tráfico de drogas.

Morte do filho

Em 5 de novembro de 2024, o filho de Beatriz, Ryan, de 4 anos, morreu após ser atingido por um disparo de espingarda calibre 12 durante uma ação da Polícia Militar no Morro São Bento. Na mesma ocorrência, o adolescente Gregory Ribeiro Vasconcelos, de 17 anos, também morreu.

O Ministério Público de São Paulo pediu o arquivamento da investigação sobre as duas mortes, por entender que os policiais agiram em legítima defesa durante uma troca de tiros. A Promotoria também concluiu que o disparo que atingiu Ryan foi acidental, após ricochetear.

A família da criança contestou o pedido de arquivamento e apresentou recurso para tentar responsabilizar criminalmente os policiais envolvidos. A defesa também anunciou uma ação de reparação de danos contra o Estado, com pedido de indenização superior a R$ 1 milhão.

Defesa

A Reportagem não conseguiu localizar a defesa de Beatriz da Silva Rosa até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.