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Mulheres negras apresentam uma taxa de mortalidade 3,8 vezes superior à de mulheres brancas por câncer de mama, conforme revela um estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgado no Rio de Janeiro. A disparidade evidencia sérios gargalos de acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento no país.
A constatação integra o relatório Disparidades Raciais na Incidência do Câncer de Mama, o primeiro volume de uma série técnica da instituição. Segundo a pesquisa, embora a incidência da enfermidade seja maior entre mulheres brancas, a letalidade atinge de forma desproporcional as mulheres negras.
De acordo com Renata Maciel, coordenadora de detecção precoce do Inca, esse cenário está ligado ao rastreamento insuficiente. Além disso, a população negra registra maior frequência do subtipo triplo negativo, uma forma biologicamente mais agressiva da doença.
Para o diretor-geral do Inca, Roberto Gil, os dados destacam a urgência de políticas públicas pautadas pela equidade no serviço público. Ele aponta que o diagnóstico tardio e fatores de risco comportamentais, como o aumento no consumo de álcool, impactam diretamente esses índices.
Desigualdade socioeconômica e fatores de risco
O levantamento reforça que determinantes socioeconômicos, estresse crônico e barreiras de acesso dificultam a realização de exames preventivos assintomáticos. Fatores genéticos e ancestrais também estão sendo analisados para compreender o comportamento do tumor.
Para mitigar a vulnerabilidade, o órgão recomenda incentivar hábitos saudáveis, como praticar atividades físicas, manter o peso adequado e promover o aleitamento materno, medidas capazes de prevenir cerca de 17% dos casos gerais.
Exemplo dessa realidade, a artesã Solange Barbosa de Freitas, de 57 anos, descobriu a enfermidade em um exame de rotina. Sem sintomas prévios, a paciente precisou passar por três cirurgias e reconstrução mamária para superar o quadro.
Incidência e prevenção no Brasil
O câncer de mama permanece como a neoplasia mais frequente entre o público feminino no Brasil, com cerca de quatro em cada cinco diagnósticos concentrados em pacientes com mais de 50 anos.
A apresentação do estudo ocorreu na sede do Inca, marcando as ações do Outubro Rosa e o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.

Plantão Guarujá