O governo federal encaminhou ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar para conceder o perdão de dívidas de MEIs registradas na Dívida Ativa da União. Segundo o Ministério da Fazenda, a proposta gerará um impacto fiscal estimado em R$ 3,04 bilhões entre 2027 e 2029, buscando aliviar financeiramente os microempreendedores e cortar despesas operacionais do governo.

De acordo com a justificativa oficial, a remissão abrangerá o valor principal dos débitos, além de juros, multas e encargos legais inscritos até 13 de outubro de 2026. A renúncia de receita será distribuída gradualmente ao longo de três anos.

Em nota, a Fazenda destacou que a cobrança desse volume de débitos gera custos administrativos elevados sem garantia de retorno. Assim, a medida permitirá focar a atuação estatal em créditos com maior probabilidade de recuperação.

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Impacto fiscal detalhado

A estimativa da redução na arrecadação federal foi dividida do seguinte modo:

  • 2027: R$ 1,12 bilhão;
  • 2028: R$ 1,01 bilhão;
  • 2029: R$ 909 milhões;
  • Total: R$ 3,04 bilhões.

O texto dispensa medidas de compensação financeira e abre uma exceção às regras que restringem novas renúncias fiscais para o ano de 2027.

Panorama das dívidas acumuladas

Atualmente, cerca de 3,67 milhões de devedores somam R$ 12,86 bilhões em débitos na Dívida Ativa da União. Desse montante, R$ 11,05 bilhões são classificados como créditos de difícil recuperação ou irrecuperáveis.

Em contrapartida, o valor que o Executivo projeta como efetivamente recuperável entre os créditos abrangidos pela medida é de apenas R$ 916 mil.

Regras e requisitos para o benefício

Para obter a remissão dos débitos, o microempreendedor individual precisará atender a critérios específicos:

  • Ter pendências inscritas na Dívida Ativa da União até 13 de outubro de 2026;
  • Manter as contribuições mensais do MEI quitadas por seis meses após o início da vigência da lei;
  • Desistir de ações ou disputas judiciais contra a União relativas às dívidas tratadas.

O descumprimento dos pagamentos no período exigido provocará o cancelamento do benefício. A regulamentação técnica dos procedimentos caberá à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).

Trâmite e próximos passos

A proposta depende da aprovação do Congresso Nacional para ser sancionada. Caso seja aprovada dentro do cronograma, a expectativa do governo é que a nova legislação entre em vigor em 1º de janeiro de 2027.

O Brasil registra atualmente 17,56 milhões de MEIs ativos. Deste total, mais de 3,6 milhões possuem débitos inscritos na Dívida Ativa da União, de acordo com o levantamento oficial.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil