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O sargento da Polícia Militar Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho foi condenado a 123 anos e quatro meses de prisão pelo assassinato da esposa, Amanda Fernandes Carvalho, de 42 anos, morta com 51 facadas em maio de 2025, em Santos, no litoral de São Paulo. O Tribunal do Júri também reconheceu a tentativa de homicídio qualificado contra a filha do casal, que sobreviveu aos ataques. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.
O julgamento foi concluído nesta quinta-feira (15), após dois dias de sessão. Os jurados acolheram todas as qualificadoras apresentadas pela acusação, conforme a decisão do júri.
Samir foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por feminicídio de Amanda e tentativa de homicídio qualificado contra a filha.
Durante o julgamento, o policial afirmou não se lembrar de ter cometido o crime e relatou ter ouvido uma voz que mandava atacar a esposa e a filha. Segundo apuração da Santa Cecília TV, ele disse que só retomou a consciência depois de ser rendido por policiais militares.
A defesa sustentou que o sargento teria agido sem consciência dos próprios atos. Uma das linhas apresentadas foi a hipótese de que uma suposta administração de medicamentos sem o conhecimento dele teria provocado uma intoxicação e afetado seu estado de consciência.
A promotoria contestou essa versão e argumentou que o comportamento do réu no dia do crime indicava que ele tinha consciência do que fazia. Entre os elementos apresentados, o promotor destacou os disparos contra as vítimas e um boletim de ocorrência de 2015, no qual Amanda relatou ter sofrido violência física por parte do então companheiro.
Relembre o caso
Samir e Amanda mantinham um relacionamento havia mais de dez anos e tinham dois filhos. Em 7 de maio de 2025, o sargento foi até uma clínica médica localizada no Canal 1, em Santos, onde a esposa e a filha aguardavam atendimento.
Segundo a acusação, ele ameaçou a mulher de morte e, em seguida, entrou na sala onde as duas estavam e efetuou disparos. Amanda foi atingida por tiros e sofreu 51 golpes de faca, morrendo no local. A filha foi baleada nas pernas e no braço e precisou passar por cirurgia.
O Ministério Público sustentou que o feminicídio foi cometido no contexto de violência doméstica e familiar, com meio cruel, dissimulação, recurso que dificultou a defesa da vítima, perigo comum e emprego de arma de fogo de uso restrito. Em relação à filha, a acusação foi de tentativa de homicídio qualificado, também com qualificadoras relacionadas ao perigo comum, à dissimulação, à dificuldade de defesa e ao uso de arma de fogo de uso restrito.

Plantão Guarujá