As quedas e as queimaduras foram as principais causas de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil em 2025, resultando em milhares de hospitalizações. De acordo com dados do DataSUS analisados pelo Projeto Criança Segura, da ONG Aldeias Infantis SOS, o país registrou mais de 55 mil internações por quedas e 25 mil por queimaduras no período.

No total, a faixa etária respondeu por 162 mil hospitalizações de um universo de 1,6 milhão de acidentes no país. A média mensal atingiu 10,7 mil jovens hospitalizados. O estado de São Paulo concentrou o maior volume absoluto de casos, com 19.837 ocorrências (15,4%), seguido por Minas Gerais (12.183) e Paraná (10.708).

Quando analisada a proporção por 100 mil habitantes, a taxa de internações muda. O Pará lidera o índice nacional com 120 hospitalizações por 100 mil pessoas, acompanhado por Tocantins (113) e Maranhão (102). No extremo oposto, Sergipe registrou a menor taxa proporcional, com apenas 13 casos por 100 mil habitantes.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Especialistas da ONG ressaltam que investir em prevenção e ambientes seguros é fundamental. A implementação de políticas públicas eficazes pode reduzir drasticamente o número de internações, sequelas permanentes e mortes evitáveis entre a população infantil.

Outros fatores e alta nos casos

Os sinistros de trânsito aparecem na terceira posição das causas de internação, somando 12,6 mil ocorrências, concentradas principalmente na faixa de 10 a 14 anos. Intoxicações responderam por 4,2 mil casos, atingindo sobretudo crianças de 1 a 4 anos (37,7%). Sufocações, afogamentos e acidentes com armas de fogo completam a lista de notificações hospitalares.

O levantamento revelou ainda uma tendência de crescimento contínuo. As internações por acidentes subiram 2,2% em 2024 e mais 5,4% em 2025, acumulando alta de 7,7% no triênio. As intoxicações foram a categoria com maior avanço recente, crescendo 19,7%, enquanto acidentes com armas de fogo registraram queda de 13,6%.

Atenção dos cuidadores é decisiva

O estudo enfatiza que mais de 90% desses acidentes poderiam ser evitados com cuidados simples e campanhas educativas. A desatenção dos adultos, frequentemente associada ao uso excessivo de celulares, é apontada como um dos fatores determinantes para o aumento recente das ocorrências registradas no país.

FONTE/CRÉDITOS: Guilherme Jeronymo - Repórter da Agência Brasil