A mulher de 44 anos apontada pela Polícia Civil como integrante do alto comando do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi condenada pela Justiça de Itanhaém, no litoral de São Paulo, a 12 anos e três meses de prisão em regime fechado. Ligia Sanches Moro, conhecida como “Loira” e “Malévola”, foi considerada culpada pelos crimes de organização criminosa e associação para o tráfico de drogas.

A sentença foi publicada na terça-feira (25) pela 4ª Vara do Foro de Itanhaém. Além da pena de reclusão, a ré foi condenada ao pagamento de 1.200 dias-multa, no valor mínimo legal. Ela permanece presa e, segundo a decisão, deverá continuar na cadeia durante eventual recurso.

A defesa apresentou razões de apelação na quinta-feira (27). Com isso, a condenação ainda não é definitiva e será submetida à análise da segunda instância.

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Investigação apontou papel de liderança

Ligia foi presa em 12 de fevereiro, durante uma operação da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém, vinculada ao Deinter-6.

Na ocasião, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão e localizaram a investigada em um imóvel na Rua Um, no bairro Guapurá.

Segundo a investigação, ela exerceria a função conhecida como “Sintonia Final dos Estados”, posição descrita no processo como de articulação e liderança dentro da organização criminosa.

De acordo com a denúncia, a função atribuída a Ligia envolvia a coordenação de demandas internas, solução de conflitos e interlocução com integrantes da facção em diferentes estados.

Durante as buscas, os investigadores apreenderam celulares, máquinas de cartão e cadernos com anotações manuscritas. Segundo a Polícia Civil, havia registros relacionados a integrantes da organização, estabelecimentos prisionais e à comercialização de entorpecentes na região do Guapurá.

Defesa contestou provas

Antes da condenação, a defesa tentou questionar a validade dos elementos reunidos pela investigação.

Em abril, os advogados alegaram, entre outros pontos, violação de domicílio, acesso indevido ao conteúdo de celular e quebra da cadeia de custódia das provas. A defesa também afirmou que não havia demonstração suficiente de que Ligia integrasse atualmente uma organização criminosa ou mantivesse vínculo estável com o tráfico.

Os advogados sustentaram ainda que o caderno apreendido seria antigo e que as conversas extraídas do telefone não comprovariam a prática dos crimes.

A Justiça, porém, entendeu que as alegações não poderiam ser acolhidas de imediato. Em decisão de 30 de abril, o juiz considerou que a análise sobre a legalidade das provas e a participação da acusada exigia uma avaliação mais aprofundada durante a instrução do processo.

Na mesma decisão, a Justiça afirmou que a denúncia estava acompanhada de elementos suficientes de materialidade e indícios de autoria e determinou o prosseguimento da ação penal.

Prisão foi mantida durante o processo

Ligia permaneceu presa preventivamente durante a tramitação do processo. Em maio, ao reavaliar a necessidade da prisão, a Justiça decidiu manter a medida.

Na decisão, o magistrado citou a gravidade das acusações e a suspeita de que a mulher ocupasse posição de destaque dentro da organização criminosa. Também foram mencionados os materiais apreendidos durante a investigação, como celulares, cadernos com registros relacionados ao tráfico e à gestão de presídios e máquinas de cartão.

A prisão foi novamente reavaliada em agosto, antes da sentença, e permaneceu mantida.

Condenação e recurso

A audiência de instrução e julgamento ocorreu em 4 de agosto. Depois das alegações finais, o processo foi encaminhado para sentença. Em 25 de agosto, a Justiça condenou Ligia a 12 anos e três meses de reclusão, em regime fechado, além da multa.

A sentença também determinou que os objetos apreendidos que ainda tenham interesse para a investigação permaneçam vinculados ao processo. Os celulares, por exemplo, continuaram apreendidos para a conclusão dos exames periciais.

A defesa recorreu da decisão no dia 27 de agosto. O processo voltou a ser encaminhado ao juiz nesta sexta-feira (28). Enquanto o recurso é analisado, Ligia permanece presa.