A principal linha de investigação agora é descobrir quem vazou essa informação privilegiada para a quadrilha.

“A gente quer saber a razão pela qual eles sabiam, porque aí a gente consegue puxar o resto. Quem realmente arrebatou a pessoa. É fato que eles tinham uma informação privilegiada”, disse Luis Henrique Ribeiro Artacho, delegado divisionário do Deic Deinter 6.

Em depoimento aos policiais, o homem contou que foi sequestrado por volta das 17h da última segunda-feira (1º). Após vender uma propriedade, ele estava à procura de um novo imóvel quando foi abordado por um suposto corretor que ofereceu uma residência com valor muito abaixo do praticado no mercado.

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“Com a prisão dos elementos que estão faltando, essas pessoas que vão poder passar essa informação para a gente. Faz muito tempo que não temos um sequestro assim na região, eles tinham uma informação privilegiada. Devem ter pensado que seria fácil. Vamos trabalhar isso, como souberam e por que aquela vítima foi escolhida”, completou Artacho.

Após o resgate, a ocorrência foi apresentada inicialmente em uma unidade policial. Na sequência das investigações, agentes da Polícia Civil conseguiram identificar e deter dois homens apontados como participantes da organização criminosa responsável pelo sequestro.

“Nós capturamos essas duas pessoas, sendo que uma delas responsável pela engenharia financeira da extorsão, possibilitando a diluição dos valores que eles receberiam, arregimentando laranjas. Pegamos um indivíduo que é o titular da conta, que vendeu a conta para essa pessoa que repassou a ferramenta para os sequestradores diretamente”, explicou Thiago Bonametti, delegado do 3º Deic de Santos.

Bonametti ressaltou que a vítima foi libertada após os criminosos perceberem que o cerco policial havia fechado e que não conseguiriam movimentar o dinheiro pelo aplicativo do banco. “Não foi pago nada a título de resgate, tentaram passar o cartão da vítima, quando viram que não iam conseguir nenhum dinheiro. Agora a investigação segue para tentar identificar os indivíduos que também participaram do sequestro. Temos pouquíssimos casos desse tipo, alguns casos em 2022 e prisões que foram feitas na época desmantelaram essas quadrilhas. Esse caso agora para nós surge de uma maneira isolada”, afirmou.

Segundo o delegado Caio Azevedo de Menezes, também do 3º Deic de Santos, a Polícia Civil dispõe de doversas ferramentas tecnológicas e investigativas, capazes de identificar rapidamente fluxos financeiros, rastrear comunicações e desarticular crimes complexos, como é o caso da extorsão mediante sequestro.

“Eles queriam mais de R$ 100 mil, que é um valor alto. Os sequestradores não são tão profissionais assim, esse é um crime muito difícil de ser executado. Usamos ferramentas de inteligência, tabalho de campo brilhante dos nossos investigadores e chegamos aos dois indivíduos presos em flagrante”, comentou.

O delegado explicou ainda que uma mulher foi identificada como peça-chave na engrenagem do golpe e responderá pelo crime. “Identificamos e indiciamos os indivíduos pelo novo crime de emprestar conta, como é o caso da moça que apresentou os sequestradores aos titulares das contas. O rapaz falou que vendeu a conta por intermédio dela, e ela confirmou que repassou aos sequestradores. Ela pode responder como partícipe”, concluiu.

Os envolvidos no sequestro devem responder por emprestar conta, organização criminosa e a extorsão mediante sequestro.

Entenda o caso

Um homem foi resgatado pela Polícia Militar após passar mais de 24 horas em poder de criminosos que o sequestraram durante uma falsa negociação imobiliária. O caso, registrado como extorsão mediante sequestro, resultou na prisão de dois suspeitos apontados como integrantes da quadrilha. O resgate ocorreu no final da tarde desta terça-feira (2), na região do Caminho Santa Maria, na Zona Noroeste de Santos, no litoral de São Paulo.

Policiais militares foram acionados via Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) após denúncias sobre uma possível vítima mantida em cárcere. Ao chegarem ao local, as equipes da Força Tática do 6º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I) avistaram dois homens em atitude suspeita. Ao perceberem a aproximação policial, os indivíduos fugiram a pé.

Durante a perseguição, segundo a PM, um dos suspeitos fez menção de sacar e apontar uma arma contra os policiais, provocando a reação da equipe. Apesar das buscas realizadas na região, os dois conseguiram escapar.

Durante a varredura no local, os policiais encontraram a vítima amordaçada e com as mãos amarradas. O homem foi imediatamente libertado e recebeu atendimento.