O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) anunciou nesta quarta-feira (3) que as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos sofreram uma retração de 14% em maio, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse declínio reflete uma tendência observada desde agosto do ano passado, quando as tarifas impostas pela administração de Donald Trump entraram em vigor, impactando as vendas para o mercado estadunidense. Enquanto isso, a China se consolida como principal destino das vendas externas do Brasil.

No entanto, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, pondera que os dados atuais não são suficientes para indicar uma alteração estrutural na dinâmica comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Brandão explica que os fluxos de comércio exterior demandam tempo para se ajustar. A composição da pauta de exportações é um fator crucial, com bens sob encomenda sendo mais suscetíveis a choques do que commodities e alimentos.

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Ele citou como exemplo produtos como petróleo, celulose, combustíveis, carne e café, que dominam grande parte da pauta com os EUA. Um aumento nos custos pode gerar uma retração temporária, mas a recuperação pode ser ágil, segundo o diretor.

Brandão também destacou uma desaceleração no ritmo de queda das exportações para os Estados Unidos nos últimos meses.

A maior retração foi observada em outubro, com 35%. Em janeiro, a redução foi de 26%, mas o declínio tem se moderado progressivamente: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e, finalmente, 14% em maio.

Comércio bilateral com os Estados Unidos

Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic, o intercâmbio comercial bilateral com os Estados Unidos demonstrou perda de fôlego durante o mês de maio.

Os indicadores de maio revelaram:

  • Exportações para os EUA: US$ 3,09 bilhões (redução de 14%)
  • Importações dos EUA: US$ 3,21 bilhões (queda de 11%)
  • Déficit comercial no mês: US$ 121 milhões

No acumulado de janeiro a maio, o cenário foi:

  • Exportações: US$ 14,01 bilhões (retração de 16%)
  • Importações: US$ 15,48 bilhões (declínio de 12,6%)
  • Déficit comercial: US$ 1,47 bilhão

A fatia dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também encolheu, caindo de 12% no mesmo mês do ano anterior para 9,7% em maio deste ano.

China se destaca na pauta exportadora brasileira

Em contraste com a queda dos embarques para os Estados Unidos, a China consolidou sua posição como o principal destino das exportações brasileiras.

No mês de maio, as vendas para o mercado chinês registraram um aumento de 9,5%, totalizando US$ 10,5 bilhões. As importações provenientes da China também cresceram significativamente, com alta de 24,2%, atingindo US$ 6,8 bilhões.

Esse movimento resultou em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões para o Brasil no período.

Analisando os cinco primeiros meses deste ano, os números com a China foram:

  • Exportações: US$ 43,26 bilhões (crescimento de 21,8%)
  • Importações: US$ 30,76 bilhões (avanço de 4,1%)
  • Superávit: US$ 15,5 bilhões

A participação da China na pauta de exportações brasileira expandiu-se de 32,1% para 32,9% nesse mesmo intervalo.

Petróleo e derivados impulsionam exportações

Herlon Brandão também correlacionou o expressivo aumento das exportações de combustíveis derivados de petróleo pela indústria de transformação ao conflito geopolítico no Oriente Médio.

De acordo com o diretor, as interrupções na oferta global causadas pela guerra resultaram na elevação dos preços internacionais, o que, por sua vez, impulsionou o valor das exportações brasileiras.

Em maio, especificamente:

  • As exportações de óleos combustíveis registraram um crescimento de 75,2% em volume;
  • O valor total exportado desses produtos aumentou 49,8%.

Contrariamente, as exportações de petróleo bruto apresentaram uma queda de 9,3% em valor e uma retração de 42,1% no volume embarcado em maio, comparado ao mesmo mês do ano anterior.

O diretor do Mdic esclareceu que esse movimento é pontual e não possui relação com o imposto de exportação instituído pelo governo para o produto.

“O Brasil se mostra altamente competitivo. A implementação do imposto de exportação não deverá afetar a oferta brasileira para o mercado externo, especialmente em um contexto de preços internacionais elevados. As empresas mantêm a produção de petróleo e os investimentos prosseguem”, garantiu Brandão.

Como evidência, Brandão mencionou a inauguração de uma nova plataforma de produção de petróleo em fevereiro deste ano.

Balança comercial brasileira: superávit em crescimento

Nos primeiros cinco meses deste ano, o Brasil acumulou um superávit comercial robusto de US$ 32,662 bilhões, superando os US$ 24,33 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Esse resultado positivo foi impulsionado, sobretudo, pelo crescimento das exportações para a China e pelo desempenho favorável de produtos relacionados ao setor de energia e commodities, que são bens primários com cotação internacional.

FONTE/CRÉDITOS: Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil