A Semana Mundial do Aleitamento Materno abre as ações do Agosto Dourado em todo o Brasil para destacar a relevância do aleitamento materno na nutrição infantil e combater o assédio comercial da indústria de fórmulas, visando garantir a segurança alimentar e o desenvolvimento saudável desde os primeiros dias de vida.

Segundo o Ministério da Saúde, o apoio à amamentação é decisivo para reduzir a pobreza e promover a imunidade da criança. A dona de casa Lorrany Duarte, após dar à luz sua segunda filha, Elisa, busca vivenciar o aleitamento exclusivo em livre demanda nos primeiros seis meses, superando traumas do passado.

Com a primeira filha, há nove anos, Lorrany precisou recorrer precocemente à fórmula infantil. Ela relata que a primogênita apresentava saúde frágil e desenvolvimento lento. Desta vez, recebe o auxílio fundamental da irmã, Marielly Duarte, que a incentiva no manejo diário e uso da bomba de sucção.

Publicidade
Publicidade

Leia Também:

Pressão da indústria de fórmulas infantis

Em entrevista à Agência Brasil, a médica Rossiclei Pinheiro, do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP, alertou sobre a forte pressão promovida pela indústria de ultraprocessados. A especialista aponta estratégias de marketing agressivas direcionadas a profissionais da saúde em hospitais e consultórios.

A médica enfatiza que nenhum produto substitui o leite da mãe. As fórmulas possuem indicação restrita e segura apenas sob orientação de pediatras ou nutricionistas, destinando-se a casos específicos de contraindicação médica, como em mães convivendo com HIV ou com alergias graves nos bebês.

Nos últimos cinco anos, a Sociedade Brasileira de Pediatria tem intensificado o treinamento médico sobre o correto manejo da amamentação. O objetivo é capacitar profissionais para tratar complicações como fissuras e ingurgitamento, sem a prescrição desnecessária de substitutos artificiais.

Impacto socioeconômico e amparo legal

A promoção da amamentação também gera impactos socioeconômicos positivos, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Famílias reduzem gastos significativos com alimentos e remédios, enquanto mães enfrentam menor absenteísmo no trabalho devido à maior imunidade infantil.

O país conta com a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância (NBCAL), respaldada pela Lei 11.265/2006. A legislação veda patrocinadores corporativos diretos a médicos, proíbe publicidade de mamadeiras e exige rótulos informativos sem ilustrações indutoras.

A SBP adverte severamente contra o uso de bicos artificiais, mamadeiras e chupetas. Esse uso pode acarretar a confusão de bicos, diminuir a produção do leite humano e antecipar um desmame precoce e prejudicial.

Metas e avanços no Brasil

O Brasil estabeleceu a meta de alcançar 70% de amamentação exclusiva até 2030, número superior ao estipulado pela Assembleia Mundial da Saúde. O país avançou de expressivos 4,7% nos anos 1980 para 45,8% em 2019, conforme os dados do Estudo Nacional de Nutrição Infantil.

Atualmente em nova etapa de coleta de dados, a pesquisa avalia lares brasileiros. Especialistas reforçam que a consolidação de políticas públicas interligadas é vital para conter a mortalidade infantil, diminuir desigualdades e proteger a saúde das futuras gerações.

FONTE/CRÉDITOS: Daniella Almeida - Repórter da Agência Brasil