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As dúvidas acerca da evolução dos embates geopolíticos no Oriente Médio, somadas à projeção de uma inflação elevada por um período mais estendido, motivaram o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) a prosseguir com moderação nos cortes da taxa Selic, a referência dos juros na economia.
Essas informações constam na ata do encontro do Copom da semana anterior, tornada pública nesta terça-feira (5). Naquele momento, o comitê deliberou pela redução dos juros em 0,25 ponto percentual, fixando a taxa em 14,5% anuais.
O Copom, por sua vez, não ofereceu indicações sobre a trajetória futura dos juros, limitando-se a declarar que acompanha de perto o conflito e as possíveis repercussões de sua extensão sobre o nível de preços.
"A persistência de incertezas relacionadas à política econômica dos Estados Unidos também contribuiu para essa conjuntura", explicou o Banco Central.
"O Comitê reitera sua postura de serenidade e prudência na gestão da política monetária, visando que as próximas etapas do ajuste da taxa básica de juros possam assimilar novas informações que esclareçam a intensidade e o alcance dos conflitos no Oriente Médio, bem como seus impactos diretos e indiretos sobre os preços ao longo do tempo", detalha o documento.
O comitê também avalia a possibilidade de impactos mais prolongados nas cadeias de produção e distribuição, além de potenciais efeitos indiretos caso haja restrições na oferta de petróleo e seus derivados.
O embate entre Estados Unidos e Irã tem afetado a navegação no Estreito de Ormuz, rota crucial por onde passa até 20% do petróleo mundial e uma parcela significativa da produção de fertilizantes.
"Um panorama como este exige prudência de nações emergentes, inseridas em um ambiente caracterizado pela crescente volatilidade nos preços de ativos e commodities", pontua o Banco Central.
Expectativas futuras
Previamente à intensificação do conflito, a projeção majoritária indicava uma redução mais expressiva da Selic ao longo do tempo. Contudo, o Copom agora alerta para um "desalinhamento adicional das expectativas de inflação para prazos mais estendidos", com destaque para o ano de 2028.
Conforme o Boletim Focus mais recente, a estimativa do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial da inflação brasileira, é de 4,89% para o ano corrente. Para 2027, a previsão inflacionária é de 4%, enquanto para 2028, a expectativa subiu nas últimas duas semanas, atingindo 3,64%.
A autoridade monetária reforçou que o custo de reconduzir a inflação à meta é consideravelmente elevado quando as expectativas do mercado se encontram desalinhadas, o que justifica a manutenção de uma política monetária restritiva para a Selic.
O próprio modelo de referência do Banco Central agora projeta uma alta de 4,6% para o IPCA em 2026.
A taxa básica de juros serve como balizador para as demais taxas da economia e representa a ferramenta primordial do Banco Central para assegurar o controle inflacionário.
Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o limite inferior é de 1,5%, e o superior, de 4,5%.
Entre junho de 2023 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o patamar mais elevado em quase duas décadas. O Copom retomou os cortes nos juros na reunião de março, em um cenário de desaceleração inflacionária. Contudo, o conflito no Oriente Médio, que provocou a elevação dos preços de combustíveis e alimentos, impõe desafios à atuação do comitê.
Mesmo diante disso, o colegiado avaliou que os acontecimentos recentes não seriam um impedimento para a continuidade do ciclo de cortes.
"O Comitê considerou oportuno dar seguimento ao ciclo de ajuste da política monetária, uma vez que o período estendido de manutenção da taxa básica de juros em um patamar restritivo forneceu provas da transmissão da política monetária para a desaceleração da atividade econômica, estabelecendo as condições para que adequações no ritmo e na amplitude dessa calibração, conforme novas informações, se tornem viáveis, a fim de garantir um nível compatível com a convergência da inflação à meta", conclui a ata.
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Plantão Guarujá
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