Foram contabilizados 96 óbitos no último ano, contra 87 em 2024, segundo dados da plataforma Datasus, do Ministério da Saúde. O avanço representa alta de 10,34% no período.

A médica cardiologista Flávia Lotto explica que a hipertensão essencial, ou primária, é caracterizada pelo aumento persistente da pressão arterial sem causa identificável e costuma se manifestar de forma silenciosa. Esse tipo representa cerca de 90% a 95% dos casos e está associado a fatores como predisposição genética, sedentarismo, excesso de peso, má alimentação e consumo abusivo de álcool.

“Devemos buscar sempre uma pressão em torno de 120/80 mmHg. Acima disso, já é um sinal de alerta e deve ser avaliado pelo médico”, orienta.

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Maior número em três anos

O total registrado em 2025 é o maior dos últimos três anos, ficando atrás apenas de 2022, quando foram contabilizados 130 óbitos por hipertensão.

A maior concentração de casos ocorreu em Praia Grande, que somou 39 mortes — o equivalente a 40% do total da região. No ano anterior, o município havia registrado 33 óbitos, o que representa um aumento de 18,18%.

Na outra ponta, Bertioga apresentou o menor número de registros, com apenas um caso em 2025, sem variação em relação a 2024.

Riscos e acompanhamento

Segundo a cardiologista, pessoas sem diagnóstico devem aferir a pressão arterial em consultas de rotina. Já pacientes hipertensos controlados podem realizar esse acompanhamento a cada seis meses. Em casos de descontrole, a frequência deve seguir orientação médica até a estabilização.

Flávia destaca que, embora o sódio seja frequentemente apontado como vilão, ele não é o único fator determinante. A hipertensão está diretamente ligada ao estilo de vida e, quando não tratada, aumenta o risco de infarto, AVC, aneurisma, doenças renais e cardíacas.

“A pressão elevada causa lesões nas artérias do coração e do cérebro, podendo levar à obstrução ou ao rompimento dessas artérias e causar situações extremamente graves”, explica.

Perfil das vítimas

Entre os óbitos registrados em 2025, a maioria foi de mulheres, que representaram 58,33% dos casos (56 mortes), enquanto os homens corresponderam a 41,67% (40 casos). O padrão se repete em relação aos anos anteriores.

O mês de dezembro concentrou a maior parte das mortes, com 12,5% dos registros. Já em relação à faixa etária, os idosos são os mais afetados. Pessoas com mais de 80 anos somaram 43 óbitos (44,79%), seguidas pela faixa de 70 a 79 anos, com 34 mortes (35,42%), e de 60 a 69 anos, com 15 registros (15,625%). Também foram contabilizados dois óbitos entre 50 e 59 anos, um entre 40 e 49 anos e um entre 30 e 39 anos.

“Quanto mais avançada a idade, maior a chance de desenvolver hipertensão. Porém, excesso de peso, sedentarismo e hereditariedade também têm forte contribuição”, afirma a médica.

Prevenção como principal caminho

A especialista reforça que mudanças no estilo de vida são a principal estratégia para reduzir os casos e mortes por hipertensão.

“Investir em alimentação adequada, prática de atividade física, controle de peso, suspensão do consumo de bebidas alcoólicas e controle do estresse. Se necessário, também deve ser feito tratamento medicamentoso adequado”, conclui.

CIDADES 2025 2024 PORCENTAGEM
Santos 11 11 0%
São Vicente 14 11 27,27%
Praia Grande 39 33 18,18%
Mongaguá 4 10 60%
Itanhaém 8 9 11,11%
Peruibe 11 8 37.5%
Guarujá 3 2 50%
Bertioga 1 1 0%
Cubatão 5 2 -37.5%
Total 96 87 10,34%