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Representantes dos governos brasileiro e norte-americano realizam uma reunião virtual na próxima segunda-feira (31), às 14h30, para tratar sobre as tarifas dos EUA aplicadas a produtos do Brasil. O encontro entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, foi confirmado pelo governo federal.
A retomada das negociações ocorre após um telefonema cordial de 80 minutos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido na última sexta-feira. Na conversa, os dois líderes concordaram em reabrir os canais diplomáticos entre Brasília e Washington para negociar os impactos da disputa comercial recente.
Durante o diálogo, Lula contestou as justificativas de Washington e ressaltou que as sanções prejudicam a economia de ambas as nações. Em contrapartida, Trump concordou com a necessidade de preservar os laços bilaterais e autorizou o contato direto entre as equipes técnicas dos dois países.
Entre as alegações usadas pela administração norte-americana para sobretaxar o Brasil estão divergências sobre propriedade intelectual, desmatamento, etanol, combate à corrupção, uso do Pix e alegações sobre trabalho forçado.
Impactos das medidas comerciais
Em julho, o USTR estabeleceu uma sobretaxa de 25% sobre diversos bens nacionais, como ferro, aço, açúcar, calçados e medicamentos. Posteriormente, uma alíquota adicional de 12,5% foi imposta sob o argumento de que o Brasil não adota mecanismos eficazes contra o trabalho escravo em suas cadeias produtivas.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o conjunto de barreiras fiscais em vigor atinge aproximadamente US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras direcionadas ao mercado estadunidense.
Para conter os prejuízos, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando descumprimento das regras internacionais. Os Estados Unidos aceitaram participar das consultas. O governo brasileiro reiterou que a balança comercial é superavitária para os norte-americanos e promete seguir atuando para proteger a economia nacional.

Plantão Guarujá