Um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Douglas Pagliuca, de 40 anos, morreu por asfixia após ser contido por moradores durante um episódio de surto no bairro Embaré, em Santos. O caso aconteceu em 30 de julho, na Rua Pedro Ivo, na altura do número 15.

Segundo informações registradas no boletim de ocorrência, Douglas apresentava comportamento agressivo e teria avançado contra pessoas que passavam pela rua, além de bater a cabeça repetidamente em um vaso de planta e em veículos estacionados. A ocorrência mobilizou a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Homem foi contido na rua

Policiais militares estavam em patrulhamento pela região quando foram acionados pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), por volta das 17h50. Ao chegarem ao endereço, encontraram Douglas já imobilizado, com cordas presas aos tornozelos e ferimentos na região da cabeça.

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Uma das testemunhas, Victor Alves Magno Coelho, relatou à polícia que Douglas também teria atingido veículos estacionados. Segundo o depoimento, o homem bateu contra uma caminhonete e provocou danos ao para-brisa.

Ainda de acordo com os relatos registrados no local, Douglas estava desorientado e representava risco para si próprio e para outras pessoas que circulavam pela região.

Imagens obtidas durante a investigação, porém, mostraram parte da dinâmica da ocorrência. No vídeo, Douglas aparece usando uma camiseta preta, correndo entre os carros, puxando um vaso de planta pela rua, batendo contra o portão de um edifício e se jogando no chão enquanto gritava.

Na sequência, três homens se aproximam para tentar contê-lo. Dois deles seguram os braços e as pernas de Douglas enquanto outro utiliza o celular para pedir ajuda.

Em determinado momento, um dos homens se senta sobre o pescoço de Douglas e aplica um golpe conhecido como “mata-leão”. Depois que o homem fica inconsciente, os envolvidos utilizam uma corda para prendê-lo até a chegada das equipes de segurança.

Morte após atendimento

O Samu foi acionado e encontrou Douglas em estado grave. Ele foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Zona Leste, mas morreu por volta das 18h55.

Inicialmente, o homem não havia sido identificado, pois estava sem documentos e aparelho celular. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para a realização dos exames.

Dez dias após a ocorrência, o laudo do IML apontou a asfixia como causa da morte e indicou que Douglas estava em surto no momento do episódio.

Investigação

O caso é investigado pelo 3º Distrito Policial de Santos. Segundo o delegado Wagner Camargo Gouveia, responsável pela investigação, as imagens obtidas pela polícia ajudaram a confrontar os primeiros relatos apresentados pelas testemunhas.

Um dos homens já identificados é o proprietário da caminhonete atingida por Douglas. Segundo o delegado, ele teria apresentado versões diferentes durante a investigação. Inicialmente, o homem afirmou às autoridades que Douglas havia cometido autolesão. Posteriormente, após a análise das imagens, o depoimento foi confrontado com a dinâmica registrada pelas câmeras.

A investigação busca identificar os demais envolvidos na contenção de Douglas e esclarecer a responsabilidade de cada um na morte.

Segundo a Polícia Civil, os envolvidos poderão responder por homicídio. O caso permanece em investigação.