O ex-prefeito de Bertioga, Caio Matheus, classificou como política a decisão da Câmara Municipal de rejeitar as contas referentes ao ano de 2023, durante a sua gestão. Além disso, o ex-chefe do Executivo atacou o atual prefeito Marcelo Vilares, apontando o rompimento político com ele como um dos fatores que pesaram para a rejeição das contas de sua gestão.

A Câmara analisou as contas durante Sessão Ordinária na última terça-feira (1º). Por nove votos a dois, as contas da gestão naquele ano foram rejeitadas.

“Na minha avaliação, depois de muita pressão, essa votação teve caráter político e não técnico. Uma tentativa clara de atrapalhar a minha candidatura e confundir a população. É a primeira vez que uma conta da minha gestão é rejeitada pela Câmara de Vereadores”, iniciou Caio Matheus, em vídeo publicado nas suas redes sociais.

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“Fui prefeito por oito anos, com a maior aprovação da história da Cidade, e por diversas vezes da Baixada Santista. O único prefeito de Bertioga que teve todas as suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo até hoje. Ressalto que as contas do ano de 2023 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. O Tribunal de Contas analisou os números, os documentos e a administração daquele ano e aprovou as contas”, detalhou.

Na sequência, o ex-prefeito passou a criticar duramente Vilares, que havia sido indicado por ele somo seu sucessor no comando da Administração Municipal.

“Minha maior tristeza e decepção diz respeito sobre lealdade, palavra e gratidão. Já dizia aquele velho ditado: quer conhecer o homem dê poder a ele. A minha relação política com o atual prefeito Marcelo Vilares encerrou há cerca de um ano. Mas eu não levei nada disso a público. Fiquei na minha”, disse.

“Durante os oito anos que estive como prefeito de Bertioga, o Marcelo esteve ao meu lado como vice-prefeito, eu puxei ele para o grupo. Ele participou do meu governo, fez parte do meu grupo e foi apresentado por mim para a população como a pessoa que daria continuidade ao projeto que construi para Bertioga. Quando chegou a eleição de 2024, eu coloquei o meu nome, a minha história e a confiança que a população tinha em meu governo para ajudar a elegê-lo prefeito. Eu poderia ter escolhido qualquer pessoa, mas eu escolhi o Marcelo. Pedi o seu voto para ele. Defendi o nome dele, dei a ele a responsabilidade de continuar aquilo que eu construi com tanto amor e dedicação durante oito anos da minha vida. Hoje eu preciso reconhecer publicamente que ele rompeu com essa confiança. Depois de assumir a Prefeitura, o Marcelo escolheu outro caminho”, afirmou.

Na sequência, Caio Matheus insinuou que Vilares estaria por trás de ataques contra a sua candidatura a deputado estadual. “Ele virou as costas para mim, isso é evidente. Aproximou-se de pessoas que, durante anos, atacavam o nosso governo e passou politicamente para o lado daqueles que sempre fizeram oposição ao projeto que ele próprio integrou. E agora, em plena campanha eleitoral, a Câmara rejeita contas que o Tribunal de Contas havia aprovado. No mesmo dia, começam a circular mensagens que eu estaria inelegível. Olha só, cada um pode tirar a sua conclusão. Para mim não existe coincidência desse tamanho, ninguém é burro e nem nasceu ontem. Eu considero isso uma traição política e digo isso com tristeza porque fui eu quem confiou nele”, completou.

Atual prefeito rebate acusações

Também pelas redes sociais, o atual prefeito se manifestou. “Eu recebi com muita tristeza o vídeo do Caio falando sobre mim na internet e eu quero pontuar algumas coisas com vocês. Eu fui sim vice-prefeito por dois mandatoss, fui reeleito e fiquei ao lado do Caio até quando a gente perdeu uma eleição em 2012. Eu fui fiel ao projeto político que nós tínhamos para a cidade, sempre respeitei o Caio. Fui leal e ajudei sempre que precisou de mim. Estou há 26 anos na vida pública. ALém de vice, fui vereador por duas vezes, eu cresci nessa cidade, criei meus filhos aqui”, destacou.

Marcelo Vilares se defendeu das acusações de Caio Matheus apontando problemas financeiros da Prefeitura assim que assumiu como chefe do Executivo.

“Logo que assumi a Prefeitura, encontrei uma situação fiscal muito diferente do que eu imaginava. A cidade estava sem recursos nenhum para terminar as mais de 17 obras que ficaram. Chamei o Caio para conversar diversas vezes, mas ele já não me atendia mais e me bloqueou das redes sociais. Mesmo tendo isso aqui registrado, eu nunca vim a público expor isso. Ficamos quietos, fizemos o que tinha que ser feito. Fomos trabalhar, buscar recursos para que a cidade avançasse, para que a gente pudesse entregar tudo aquilo que fosse essencial para a nossa população, finalizando essas obras”, comentou.

“A gente não desistiu, levantamos a cabeça e fomos para a luta. Estou dando o meu melhor. Tomamos algumas decisões impopulares que precisavam ser tomadas, cortamos eventos milionários para que pudessemos entregar uma Saúde que realmente funcionasse, uma Educação de qualidade e diversos outros serviços que estamos entregando”, acrescentou Vilares.

Por fim, o atual prefeito negou qualquer inteferência na reprovação das contas de 2023. “Agora eu preciso falar com você (bertioguense) sobre os vereadores, porque isso precisa ficar bem claro. A Câmara é um poder independente, cada vereador tem mandato próprio dado por você bertioguense, pelo seu voto, e eles seguiram o parecer do Ministério Público de Contas. Não tem inteferência nenhuma de prefeito nisso, eu jamais farei isso. Essa é a última vez que vou falar sobre o assunto. Eu não guardo rancor nenhum, nosso maior projeto é ver Bertioga indo para frente, avançando, independentemente de eu ser prefeito ou não”, concluiu.