A partir desta segunda-feira (1º), a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) passa a ser a única responsável pela gestão e cobrança dos débitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) que foram inscritos em dívida ativa. Aproximadamente R$ 66,8 bilhões, correspondentes a 500 mil inscrições, serão transferidos do sistema da Caixa Econômica Federal para a PGFN, centralizando a administração desses valores.

A transição, que visa otimizar a recuperação de créditos, prevê a conclusão da migração até o fim deste mês. Para facilitar a regularização por parte dos devedores, a PGFN anunciou a publicação de um edital de transações em julho, oferecendo descontos em juros e multas.

A dívida ativa do FGTS compreende os valores que deveriam ter sido pagos pelos empregadores aos trabalhadores e que, após não serem quitados ou parcelados, são registrados formalmente. A consulta, renegociação e emissão de guias para pagamento desses débitos, sejam eles ajuizados ou não, serão realizadas exclusivamente através do portal Regularize, da PGFN.

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Os valores recuperados serão diretamente creditados nas contas do FGTS dos trabalhadores. Débitos administrativos que ainda não foram inscritos em dívida ativa ou que já possuem parcelamento ativo com a Caixa continuarão sob a gestão do banco até sua quitação ou rescisão. A emissão do Certificado de Regularidade do FGTS (CRF) também permanece sob responsabilidade da Caixa.

Individualização de créditos

Com a centralização na PGFN, a individualização dos valores devidos a cada trabalhador também será processada no portal Regularize. Os empregadores terão um prazo máximo de 30 dias para realizar essa individualização, sob risco de não obterem o CRF e de terem suas negociações com a PGFN rescindidas.

Theo Lucas Borges, procurador-geral adjunto da Dívida Ativa da União e do FGTS, destacou que a mudança simplificará o processo para quem deseja quitar seus débitos e trará benefícios aos trabalhadores que receberão os valores. Borges antecipou que, a partir de 2025, a PGFN ampliará a transparência, permitindo a consulta individualizada de créditos no portal.

“Hoje, o trabalhador tem dificuldade em saber o que tem [a receber]. Vamos disponibilizar para que qualquer brasileiro veja se tem crédito de FGTS de sua titularidade e que está sendo cobrado pela PGFN”, explicou Borges. Ele também informou que os trabalhadores serão notificados sempre que créditos em seu nome forem recuperados.

Ferramentas de cobrança ampliadas

O principal objetivo da migração é unificar os procedimentos e a gestão da dívida ativa sob a responsabilidade de uma única entidade, a PGFN, que já administra a dívida ativa da União. A intenção é aplicar a mesma agilidade e tecnologia utilizadas na cobrança de créditos fazendários aos créditos fundiários.

Borges ressaltou que a medida não impede que o empregado busque seus direitos judicialmente, mas a PGFN dispõe de um leque de mecanismos de cobrança que uma pessoa física não possui. Entre as mais de 30 formas de cobrança disponíveis, que agora serão aplicadas à dívida ativa do FGTS, incluem-se protesto, penhora de bens e restrições para contratação com o poder público.

Em 2024, a PGFN recuperou R$ 1,9 bilhão de dívida ativa do FGTS, e nos primeiros dois meses do ano, já foram repassados R$ 142 milhões aos trabalhadores. Em 2025, a PGFN recuperou R$ 66,1 bilhões em dívida ativa da União.

O que é o FGTS

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi instituído para proteger o trabalhador em caso de demissão sem justa causa, através da constituição de uma conta vinculada ao contrato de trabalho.

Mensalmente, os empregadores depositam 8% do salário de seus funcionários em contas abertas na Caixa Econômica Federal. O saldo do FGTS pode ser sacado não apenas em demissões, mas também em situações como aposentadoria, diagnóstico de doenças graves e na aquisição de imóveis.

Parte dos recursos do FGTS é destinada a investimentos em políticas públicas voltadas para habitação, saneamento básico e infraestrutura no país.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil