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Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas ocuparam as ruas de várias cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, data que marca o Dia Internacional do Trabalhador.
A principal demanda em pauta era o encerramento da jornada de trabalho em escala de seis dias seguidos com apenas um de folga (escala 6x1), sem que houvesse redução nos salários. Em Brasília, a concentração dos manifestantes ocorreu no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, compareceu ao evento com seu neto de 5 anos, a nora e a mãe, de 80 anos, para reivindicar melhores direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente possui carteira assinada, relembrou sua época como feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, quando não tinha registro em carteira. Ela ressaltou as irregularidades frequentemente cometidas contra suas colegas de profissão.
“Tenho conhecimento de pessoas que estão trabalhando neste momento, pois o empregador alega que hoje não é feriado, mas sim ponto facultativo. Essas pessoas não receberão horas extras por desconhecerem seus direitos.”
O ato unificado do Dia 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por sete centrais sindicais do Distrito Federal, incluindo atividades culturais e discursos.
O movimento defende que a diminuição da jornada de trabalho, contrariando o que alegam as empresas, não prejudica a economia e, na verdade, eleva a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito inerente aos trabalhadores.
Lutas por melhores condições
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou do protesto em busca de condições mais dignas para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora acredita que a luta por esses direitos deve ser contínua.
“Nós sempre buscamos o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha, aprovadas no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022, encontram-se desempregadas.
Enquanto aguardam a convocação para as vagas, elas se manifestam pela valorização das carreiras de profissionais da educação e por mais oportunidades. “As crianças necessitam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre para autocuidado e família
Cartazes com mensagens pedindo o fim da escala de trabalho 6x1 inspiraram três mulheres a se unirem durante o protesto em defesa de mais tempo livre, essencial para o autocuidado, lazer e a convivência familiar.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com o desenvolvimento de crianças com necessidades especiais e possui duas folgas semanais.
Ela relatou que, por um ano, trabalhou em grandes centros de logística, enfrentando jornadas extenuantes que avançavam pela madrugada e incluíam turnos duplicados. Como resultado, percebeu impactos negativos em sua formação acadêmica e em sua saúde.
Ao migrar para uma escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5x2), Ana Beatriz observou melhorias significativas na qualidade do seu sono e alimentação, além de um aumento na disposição diária.
“Sou totalmente contra a escala 6x1. Essa modalidade precisa acabar o quanto antes. Considero que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40 é totalmente viável. Se tudo for feito corretamente, com um bom planejamento das escalas, trabalharemos mais descansados, com maior qualidade e produziremos mais.”
A aposentada Ana Campania descreveu a escala 6x1 como uma “escala da escravidão” e participou do ato exigindo o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Especialmente neste momento em que tentam reverter conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores e as garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada dupla e tripla feminina em debate
O sindicalista Geraldo Estevão Coan, com longa trajetória na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, esteve presente no ato desta sexta-feira e aproveitou a ocasião para protestar contra a jornada dupla e até tripla enfrentada pelas mulheres trabalhadoras no país. Ele defende que os homens compartilhem mais as responsabilidades domésticas e com os filhos.
“O fim da escala 6x1 deve beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os homens, também precisamos ter a consciência de que não é apenas a mulher que deve cuidar da casa.”
Confronto durante a manifestação
O evento em Brasília foi marcado por um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. O incidente ocorreu após os apoiadores exibirem um boneco do ex-presidente em tamanho real, vestido com uma capa da bandeira do Brasil.
O gesto, realizado durante o ato público, foi interpretado como uma provocação pelos manifestantes presentes no Eixão Sul. Houve troca de ofensas e agressões físicas, mas o princípio de tumulto foi rapidamente contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com divergências ideológicas iniciaram provocações e confrontos verbais. As equipes policiais agiram prontamente, restabelecendo a ordem pública sem o registro de ocorrências graves”, informou a publicação da PMDF.

Plantão Guarujá
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