O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou os microdados do Censo Demográfico 2022, trazendo informações socioeconômicas detalhadas da população brasileira com novos protocolos para garantir a privacidade dos cidadãos diante dos avanços da inteligência artificial.

A base traz dados obtidos na amostra aplicada a um grupo selecionado de domicílios. O material permite analisar profundamente indicadores de educação, trabalho, rendimento, habitação e migração pelo país.

Cada registro representa uma unidade de observação sem conter identificadores diretos, como nomes, CPF ou endereços. Segundo o IBGE, as informações passaram por tratamentos estatísticos rigorosos para evitar qualquer tipo de reidentificação.

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Desafios tecnológicos e sigilo estatístico

O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, explicou que as novas tecnologias e a ciência de dados exigiram atualizações na forma tradicional de divulgação. Por isso, as equipes aplicaram diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e da Lei Nº 5.534/1968.

De acordo com Gustavo Junger, diretor de Pesquisas, a necessidade de aprimorar a segurança provocou um adiamento no lançamento. No entanto, a base atualizada fornecerá insumos cruciais para políticas públicas e pesquisas acadêmicas nos próximos anos.

A coordenadora técnica Giulia Scappini reforçou que o aumento do compartilhamento de dados elevou a vulnerabilidade da privacidade, motivando a adoção de melhorias metodológicas contínuas pela instituição.

Modelo de acesso em três níveis

Para equacionar a transparência com a segurança, o Comitê Técnico de Qualidade do IBGE criou uma estrutura de acesso dividida em três categorias distintas:

Acesso público: disponível no site do IBGE para qualquer usuário, sem necessidade de cadastro, contendo dados agregados até o nível das unidades da federação.

Acesso controlado: voltado a pesquisadores e gestores identificados via conta gov.br. Segundo Manoela Cabo, do comitê do IBGE, o usuário assina um termo de compromisso digital e recebe um arquivo rastreável.

Sala de Acesso Restrito (SAR): modalidade presencial onde o acesso é liberado apenas após a aprovação prévia de um projeto de pesquisa, mantendo as informações sob total sigilo.

Compromisso legal do pesquisador

O coordenador Cimar Azeredo destacou que quem acessar os dados deve assinar um termo vedando a reidentificação ou o uso comercial e publicitário. As informações devem ser utilizadas exclusivamente para finalidades científicas e estatísticas declaradas.

FONTE/CRÉDITOS: Cristina Índio do Brasil - repórter da Agência Brasil