O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, nesta sexta-feira (10) em São Paulo, a sanção do Projeto de Lei 126/2025. A medida cria o marco regulatório para vacinas e medicamentos de alto valor voltados ao tratamento oncológico no território nacional.

O texto legal determina regras para as etapas de criação, estudo, manufatura e fornecimento desses insumos. O foco principal é fomentar a inovação tecnológica, assegurar o acesso amplo e promover a igualdade dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), estimulando ainda parcerias globais e a produção interna.

Durante a agenda na capital paulista, Lula também participou da inauguração do Centro de Ensino, Simulação e Inovação (Cesin), vinculado ao Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

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A cerimônia contou com a presença de autoridades como o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, a primeira-dama Janja Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

“Vocês desenvolveram aqui um ambiente de simulação que inclui até suporte psicológico. É um avanço extraordinário. O Brasil precisa superar o sentimento de inferioridade e entender que não somos pequenos nem desprovidos de recursos”, declarou o presidente.

“Qualquer cidadão brasileiro terá acesso a tratamentos de ponta, pois estamos distribuindo tecnologia para todos os estados. Isso se resume a uma única palavra: respeito à dignidade humana”, enfatizou Lula.

O chefe do Executivo reiterou o papel fundamental desempenhado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no país.

“A população não pode ser tratada de maneira desigual. É dever do Estado assegurar as mesmas oportunidades a todos. Enquanto quem possui recursos pode escolher onde se tratar, o Estado deve ser o amparo de quem não tem essa condição financeira”.

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Estrutura do Cesin

O Cesin surge como um braço especializado do InCor para potencializar as frentes de educação, treinamento técnico e desenvolvimento tecnológico.

Segundo informações do instituto, o complexo visa elevar o patamar da formação médica, garantindo maior segurança aos pacientes e agilizando a aplicação de novas soluções na rotina hospitalar.

“O Cesin é um marco estratégico para a saúde pública brasileira, unindo tecnologia de ponta e ensino de excelência para beneficiar diretamente os usuários do SUS”, afirmou Roberto Kalil, presidente do Conselho Diretor do InCor-HCFMUSP.

Com uma infraestrutura de cinco pavimentos financiada por emendas parlamentares, o local conta com oito salas que mimetizam cenários reais de UTIs, centros cirúrgicos e emergências. O espaço inclui ainda realidade virtual, biobanco e um núcleo voltado especificamente para a inovação tecnológica.

A unidade reserva um setor exclusivo para simulações realísticas, técnica considerada de vanguarda no ensino médico internacional.

Nesses ambientes, os profissionais dispõem de equipamentos reais, como desfibriladores e respiradores, além de manequins tecnológicos de última geração que permitem um treinamento altamente fiel à realidade.

Há também uma área voltada para a prática de cirurgias, com estações que permitem realizar desde intervenções abertas até procedimentos minimamente invasivos com suporte de vídeo.

O espaço possibilita o uso de aparelhos de anestesia e circulação extracorpórea sob condições de alto realismo para a capacitação das equipes.

Além de formar profissionais, o Cesin atuará como um polo de inovação para validar novas terapias e ferramentas digitais, integrando o uso de inteligência artificial e realidade virtual na prática assistencial.

“Com este centro, o InCor amplia significativamente sua capacidade de qualificação profissional”, destacou o ministro Alexandre Padilha.

“Este projeto impulsiona a transformação digital na saúde brasileira, integrando inteligência artificial, telediagnóstico e conectividade para aprimorar o atendimento em todo o território nacional”, complementou o ministro.

Aporte de recursos

Durante o evento, o ministro da Saúde anunciou um investimento total de R$ 100 milhões para o InCor, sendo que uma parcela substancial desse montante foi aplicada diretamente no novo centro.

“Aproximadamente R$ 45 milhões do Ministério da Saúde foram destinados à construção e equipagem desta unidade de simulação, que qualificará profissionais de diversas regiões do país”, explicou Padilha à imprensa.

Também foi oficializada a participação do InCor no programa Mais Médicos Especialistas e a liberação de R$ 9 milhões para o Núcleo de Telessaúde, com foco em cardiologia e obstetrícia.

“Essa verba permitirá auxiliar gestantes em todo o Brasil por meio de ferramentas de atendimento remoto”, disse o ministro.

Padilha revelou ainda planos para implementar, no Hospital das Clínicas de São Paulo, a primeira unidade hospitalar pública inteligente do país.

“Teremos aqui no HC um hospital de inteligência voltado para urgências, com 700 leitos operando de forma totalmente conectada”, adiantou.

Segundo a pasta da Saúde, o hospital inteligente utilizará inteligência artificial e ambulâncias com conexão 5G para otimizar os serviços.

A meta é reduzir o tempo de resposta em casos críticos de forma drástica, baixando a espera atual de 17 horas para apenas 2 horas.

FONTE/CRÉDITOS: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil