De acordo com a Polícia Civil, o caso teve início na manhã de 8 de dezembro de 2025, após registro na Delegacia de Proteção ao Idoso, e levou à identificação de uma mulher que se apresentava apenas como ‘Lúcia’. A vítima relatou que encontrou um panfleto afixado em um poste, no qual a suposta ‘Lúcia’ se dizia espírita, leitora de cartas e búzios, capaz de fazer trabalhos espirituais que garantiriam saúde e equilíbrio.

A promessa de resultados imediatos convenceu o idoso a procurá-la em uma sala comercial localizada na Avenida Marechal Floriano Peixoto, no bairro Gonzaga, onde ela atendia e onde os fatos se desenrolaram. Ali, segundo ele contou à polícia, começaram sessões recheadas de discursos místicos e pressões psicológicas. Sob a justificativa de que “as entidades pediam”, a mulher o convenceu a realizar depósitos e pagamentos em espécie, garantindo que todo o valor seria devolvido ao final de um ritual espiritual.

Com base nas informações fornecidas pelo idoso, a equipe do 7º Distrito Policial (DP) de Santos iniciou uma investigação detalhada, representando judicialmente pela quebra de sigilos telefônico, telemático e bancário da suspeita. As análises técnicas revelaram que a maior parte do dinheiro era direcionada para contas bancárias de terceiros indicados pela autora, identificados apenas no curso sigiloso do inquérito.

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As diligências realizadas pelos policiais do 7º DP ganharam força com o apoio do trabalho de inteligência e de análise financeira, que permitiram aos investigadores seguir o rastro do dinheiro, identificar contas de terceiros utilizadas no golpe e compreender toda a engrenagem que sustentava o esquema.

Com o avanço das apurações, foi possível revelar que a mulher que se apresentava como ‘Lúcia’ se chama, na verdade, Gabrielly, de 19 anos, filha de uma pessoa com diversos antecedentes por práticas semelhantes.

Com mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça, policiais civis cumpriram diligências na residência da jovem, no Boqueirão, e no espaço comercial onde ela atendia as vítimas. No local, foram apreendidos panfletos usados para atrair clientes, aparelhos celulares, uma máquina de cartão, materiais de interesse do inquérito e até uma galinha e um pombo, supostamente utilizados em rituais espirituais.

Os animais foram recolhidos com apoio da Guarda Civil Municipal e entregues à ONG Pombos de Santos, que assumiu os cuidados emergenciais e sanitários. Um veículo vinculado à suspeita também foi apreendido ad cautelam para averiguar eventual vínculo com o delito.

Confrontada com as provas, Gabrielly permaneceu em silêncio durante o interrogatório. Ela foi formalmente indiciada por estelionato qualificado, considerando que o crime foi praticado contra pessoa idosa.

As medidas cautelares foram fundamentais para desvendar toda a estrutura do esquema, que pode ter vitimado outras pessoas ainda não identificadas. O inquérito policial segue em andamento.