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Uma casa abandonada nos fundos de uma borracharia, na Rua Frei Gaspar, no Centro de São Vicente, no litoral de São Paulo, escondia uma plantação estruturada de maconha cultivada em ambiente controlado. Jaisson Silveira Cardoso, de 47 anos, foi preso em flagrante na noite desta quarta-feira (5), durante uma operação da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Santos.
Segundo o delegado da Dise de Santos, Leonardo Rivau, o local passou a ser monitorado após investigações sobre o tráfico de drogas na região. Durante cerca de um mês, os policiais observaram uma intensa movimentação de motoboys e pessoas que permaneciam poucos minutos na borracharia, comportamento considerado incompatível com a atividade do estabelecimento.
“Os policiais conseguiram delimitar e identificar uma borracharia no Centro de São Vicente que seria responsável pelo tráfico de drogas, especialmente de chamadas ‘maconhas gourmet’. Durante um mês de monitoramento, eles verificaram a movimentação constante de motoboys e de pessoas que ficavam pouco tempo no local”, explicou o delegado.
Na quarta-feira, os investigadores decidiram realizar a abordagem. Ainda na entrada da borracharia, sentiram um forte odor de maconha e encontraram o suspeito, que já vinha sendo monitorado durante a investigação.
Ao vistoriarem o imóvel, os policiais localizaram uma passagem que dava acesso a outra construção no mesmo terreno. No corredor, havia porções da droga já embaladas para venda. Pela janela da casa abandonada, os agentes avistaram uma grande plantação e entraram no imóvel.
No local, encontraram uma estrutura completa para o cultivo indoor da droga, com equipamentos de climatização, ar-condicionado e iluminação artificial para estimular o crescimento das plantas.
Ao todo, foram apreendidos 125 pés de maconha, além de diversas porções prontas para comercialização. Segundo Rivau, as plantas estavam identificadas com nomes como “Melonade”, “Lemonade” e “Ice”, denominações utilizadas para diferenciar variedades com maior concentração de THC e características específicas de aroma e potência.
“Esse tipo de maconha é diferente da maconha prensada. Ela passa por modificações genéticas para aumentar a concentração de THC, que é a substância psicoativa da planta”, afirmou.
Defesa
Durante a elaboração do auto de prisão em flagrante, a defesa apresentou um habeas corpus preventivo em nome de uma terceira pessoa, apontada como proprietária do imóvel, alegando que haveria autorização para cultivo medicinal da cannabis.
No entanto, conforme o delegado, o documento não informava o endereço do local e não foi possível confirmar que a autorização abrangia a plantação descoberta.
A Polícia Civil agora solicitará a quebra do sigilo telefônico do preso para investigar o possível envolvimento do suposto proprietário e esclarecer se a autorização apresentada tem relação com o cultivo encontrado ou se o esquema era destinado ao tráfico de drogas.

Plantão Guarujá